17 de abril de 2024
Campo Grande 21ºC

ENGENHEIRO DO VALTER BRITO

Foragido da Operação Laços Ocultos, Júlio Arantes Varoni é preso em Corguinho

Era procurado desde novembro de 2023 pelo Gaeco

A- A+

O engenheiro Júlio Arantes Varoni, de 61 anos, foi preso na manhã desta 6ª.feira (29.mar.24) em Corguinho (MS). Ele foi encontrado na Fazenda Vista Alegre, próximo ao Assentamento do Taboco.

Varoni estava foragido desde a deflagração da Operação Laços Ocultos, em novembro de 2023, que investiga lavagem de dinheiro em Amambaí (MS) e denunciou 17 pessoas.

Dos 17 suspeitos, Valter Brito está em prisão domiciliar e três recolhidos em presídios de MS e SC. Fotos: ReproduçãoDos 17 suspeitos, Valter Brito está em prisão domiciliar e três recolhidos em presídios de MS e SC. Fotos: Reprodução

De acordo com o delegado Valmir Moura Fé, Varoni será encaminhado para audiência de custódia neste sábado (30.mar.24), onde será decidido se a prisão preventiva será mantida. Caso confirmada, ele poderá ser transferido para o presídio de Campo Grande.

Como mostramos aqui no MS Notícias, Operação Laços Ocultos investiga uma organização criminosa suspeita de desviar mais de R$ 78 milhões em seis anos por meio de fraudes em licitações de obras e serviços de engenharia, especialmente ligadas a empresas relacionadas ao vereador Valter Brito da Silva (PSDB).

A investigação revelou superfaturamento, obras parcialmente executadas e pagamento de propina a agentes políticos e servidores. Valter Brito, apontado como chefe da organização, enfrenta diversas acusações, incluindo organização criminosa e fraude em licitação.

Além do vereador, foi denunciada por corrupção passiva e organização criminosa (2) Jucélia Barros Rodrigues (foragida), (3) Jonathan Fraga de Lima(4) Letícia de Carvalho Teoli e (5) Maikol do Nascimento Brito (acusados de envolvimento com a organização criminosa).

O Ministério Público apresentou denúncia contra diversos ex-servidores públicos, confira abaixo:

  1. Aldevina Aparecida do Nascimento - acusada de 16 fraudes de licitação, organização criminosa, corrupção ativa, além de concurso material de crimes; 
  2. Ariel Betezkoswski Maciel - acusado de organização criminosa, fraude de licitação pública por 12 vezes e concurso material de crimes;
  3. José Carlos Roncone - denunciado por corrupção ativa em duas oportunidades, organização criminosa, fraude de licitação pública por 17 vezes e concurso material de crimes;
  4. Júlio Arantes Varoni - acusado por organização criminosa, fraude de licitação pública três vezes, corrupção ativa e concurso material de crimes.

Além desses, outras pessoas foram denunciadas pelo MP:

  1. Luciana Vicentin - denunciada por corrupção ativa, organização criminosa e fraude de licitação pública por 14 vezes.
  2. Joice Mara Estigarribia da Silva - acusada de corrupção ativa, organização criminosa e fraude de licitação pública cinco vezes.
  3. Carlos Eduardo da Silva e Ângela Bonomo - foram denunciados por organização criminosa e fraude de licitação pública sete vezes, além de concurso material de crimes.
  4. Fernanda Carvalho Brito - denunciada pelo MP por corrupção ativa duas vezes e concurso material de crimes.
  5. Luiz Henrique Bezerra Rodrigues - acusado de corrupção ativa, organização criminosa, fraude de licitação pública por quatro vezes e concurso material de crimes.

A Justiça afirma que Varoni está envolvido em várias empresas ligadas ao esquema de desvio de dinheiro público liderado pelo vereador tucano.

O ministro Teodoro Silva Santos, do Superior Tribunal de Justiça, destacou que Arantes é sócio da Mariju Engenharia Ltda e já foi sócio da V. C Construções Ltda, que tem Valter Brito como sócio. Além disso, Arantes é empregado da empresa Adelvina A. do Nascimento Construtora Eireli, cuja sócia é cunhada de Valter Brito da Silva.

O ministro apontou que há indícios de práticas criminosas, como frustração de licitação, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro. 

A prisão de Varoni foi mantida em despacho do juiz Daniel Raymundo da Matta, da Vara Criminal de Amambai, publicado em 14 deste mês. Com sua prisão, apenas a servidora municipal Jucélia Barros Rodrigues permanece foragida, sendo ela responsável pelos contratos da prefeitura. Valter Brito da Silva está em prisão domiciliar após sofrer uma parada cardíaca na prisão de Campo Grande.