27 de fevereiro de 2024
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FUGA DO PALERMO

PF faz buscas no TJMS contra desembargador que soltou narcotraficante

Autor do habeas corpos à Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão

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O gabinete do ex-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Divoncir Schereiner Maran, no Parque dos Poderes, em Campo Grande (MS), é alvo de buscas da Polícia Federal (PF) na manhã desta 5ª feira (8.fev.24). 

Apesar de estar ocorrendo simultaneamente a Operação Tempus Veritatis, que mira alvos que articularam um golpe de estado em 8 de janeiro de 2023, para impedir que o presidente eleito, Lula, governasse, não há relação do desembargador com a Veritatis.

Como adiantamos mais cedo aqui no MS Notícias, Mato Grosso do Sul é um de dez estados onde são cumpridos mandados contra golpistas. "A investigação tenta elucidar a participação dessas pessoas nos atos do dia 8 de janeiro, quando milhares de manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes (Planalto, Congresso e Supremo)", diz a PF em nota

No entando, ação no TJMS é uma operação distinta. A PF ainda não ofereceu detalhes.  

SOLTURA DO NARCOTRAFICANTE

Gerson Palermo foi preso em março de 2017 na Operação All In: ele estava solto, mesmo tendo sido condenado a 60 anos (Foto: Arquivo)Gerson Palermo foi preso em março de 2017 na Operação All In: ele estava solto, mesmo tendo sido condenado a 60 anos. Foto: Arquivo

O desembargador ficou conhecido, após soltar em 21 de abril de 2020, no início da pandemia do coronavírus, o narcotraficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão. A decisão aconteceu durante o plantão de Divoncir. 

De acordo com apurado, em 10h no plantão, Divoncir teria feito análise do recurso, com 35 páginas e 173 folhas anexas, entre às 21h42 e às 8h11 do dia seguinte, no meio do feriadão de Tiradentes em 2020.

Em 22 de abril, o desembargador Jonas Hass Silva Júnior, relator do processo, revogou a liminar e restabeleceu a prisão de Palermo. A essa altura, no entanto, o chefão do tráfico já tinha rompido a tornozeleira eletrônica e desapareceu. 

Palermo estaria no Paraguai. Fotos: ReproduçãoPalermo estaria no Paraguai. Fotos: Reprodução

A decisão virou alvo de investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Eis a íntegra.  

O desembargador está a dois meses de se aposentar porque vai completar 75 anos, idade limite para atuar no Tribuna de Justiça. A aposentadoria será em 7 de abril, um dia depois do seu aniversário.

QUEM É GERSON PALERMO 

Considerado chefe e coordenador do esquema de tráfico de cocaína denunciado pela Polícia Federal na Operação All In, em 2017, Gerson Palermo foi condenado a 59 anos e dois meses pelos crimes de tráfico internacional de droga, associação para o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, em agosto de 2019.

Na decisão do juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Bruno Cezar da Cunha Teixeira, o narcotraficante ainda perdeu parte do seu patrimônio: três aeronaves, 14 caminhões e um aeródromo em Corumbá, município que faz fronteira com a Bolívia, país produtor de cocaína.

Palermo é piloto e acumula passagens pela polícia desde 1991. O crime mais ousado foi no ano 2000, com o sequestro de um Boeing da Vasp, que fazia a rota Foz do Iguaçu a São Luís. Com 61 passageiros e seis tripulantes, o voo foi desviado por oito homens armados para uma pista de pouso em Porecatu, no interior do Paraná, a cerca de 70 km de Londrina (PR).

Na ocasião os sequestradores levaram R$ 5 milhões que estavam no compartimento de cargas do avião. A prisão de Palermo aconteceu 14 dias depois, em Campo Grande.

BREANKING BAD 

Equipes do Gaeco, do Bope e da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e São Paulo saíram as ruas em 19 de novembro de 2019 para cumprir 18 mandados de prisão preventiva, 2 de prisão temporária e 20 de busca e apreensão em Campo Grande Ladário, Corumbá, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Birigui (SP) e Campinas (SP).

Em Campo Grande a força-tarefa prendeu em flagrante pelo menos quatro pessoas – três homens e uma mulher. Dois deles, identificados como Francisco Jonhatan Lopes de Brito, o Chicão, de 31 anos e Edson Firmino dos Santos, de 37 anos, foram levados para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) da Vila Piratininga. Ambos já tinham passagem pela polícia por tráfico de drogas.

Uma mulher, de 31 anos, que seria esposa de um traficante, foi presa no Bairro São Jorge da Lagoa. Ela levada para a 6ª DP (Delegacia de Polícia). Um terceiro homem detido não foi identificado.

O nome da operação faz referência à série da TV americana mundialmente famosa, onde um professor de química, após descobrir um câncer termina, decide montar laboratório em casa para fabricar metanfetaminas para ganhar dinheiro e deixar a família bem.