03 de maro de 2021
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Abelha Moraes: homenagem ajuda a disseminar a chama da igualdade

Uma das 26 lideranças homenageadas pela Assembleia Legislativa por sua luta contra o preconceito racial em Mato Grosso do Sul, o servidor publico Edmir Moraes, o Abelha, considera essencial avivar para a sociedade a importância da conscientização e da mobilização pela igualdade. “Quando acontece um ato dessa natureza, com esse enfoque, a chama da esperança pela igualdade, pela paz e pela convivência é disseminada por toda a sociedade”, opina Abelha.

Na quarta-feira, 18, em atenção ao Dia Nacional da Consciência Negra – que é comemorado no Brasil a 20 de novembro -, a Assembleia realizou sessão especial para a entrega das comendas do Mérito Legislativo Zumbi dos Palmares, criado por proposição do deputado estadual Amarildo Cruz (PT). Reconhecido ativista dos direitos humanos e mobilizações democráticas e populares, o historiador Abelha, 58, é secretário de Igualdade Racial do Diretório Regional do PT.

Formado em História pela Universidade Federal (UFMS), Abelha foi um dos principais organizadores do processo popular que abriu a discussão para elaboração do Plano Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Corumbá, um dos primeiros do gênero no Estado. Também participou da criação da Gerência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, como gerente atuou na implantação do Vale dos Orixás (uma área que é reservada aos cultos afros) e é o coordenador do Centro-Oeste na Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen).

Para Edmir Abelha, cada homenagem eleva um contexto específico de lutas e de comprometimento com objetivos comuns da sociedade. “Queremos a convivência pacífica e fraterna entre todas as pessoas, entre todos os povos. Mas isso não cai do céu, é resultado de luta, uma luta feroz, de entrega e sofrimento, às vezes comparável, em intensidade, à que foi travada por Zumbi e por todos que se insurgiram contra a escravatura”, afirma.

“Por isso, o gesto do deputado Amarildo e todo o poder legislativo adquire uma dimensão de enorme significado, não para quem homenageia e nem para homenageados, mas para todo o contexto de uma sociedade que vive tempos desafiadores. Hoje, torna-se imprescindível afastar as ameaças trazidas pelo ódio e pela intolerância. Se queremos um mundo fraterno, de direitos estabelecidos, precisamos ganhar consciência de que é indispensável lutar, somando forças, não dispersando-as por causa de viés ideológico ou de qualquer outra motivação”, conclui.