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quinta, 13 de dezembro de 2018

"Uma Vida Para Valer"

Nelson Trad: uma raiz de cedro que viceja em MS

Por: Redação06/12/2018 às 10:44
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A literatura e a história brasileiras ganham uma contribuição singular para seu melhor acervo. Nesta sexta-feira, 7, em Campo Grande, será lançado o livro "Uma Vida Para Valer". Escrita pelo jornalista Oscar Ramos Gaspar, é a biografia de um dos mais ilustres edificadores da afirmação política, jurídica e social do Estado. Por isso se explica porque falar ou comentar sobre ele é impossível sem adjetivos.

Singular no trato das missões que lhe foram confiadas - e exercidas sob as luzes da inteligência e da exaustiva busca de leituras -, cuidou como se fossem filhos seus os desafios da advocacia e da política. E teria feito o mesmo se optasse por um corredor alternativo que teve na juventude, o do esporte, em razão do jogo vistoso e cerebral que desenvolvia dentro de campo.

Era, por incrível que parecesse, avesso aos holofotes. Tinha consciência das dimensões de seu protagonismo e não se escondia. Contudo, conferia maior atenção e zelo ao que suas intervenções produziam  na esteira das responsabilidades que lhe eram imputadas. Quem o conheceu e conviveu mais de perto sabia existir no perfil do advogado e do político a marca consolidada do DNA em que sangue, personalidade, coragem e visionarismo pulsavam no canteiro familiar arado e lapidado pelos pais Assaf Trad e Margarida, cônsuil e consulesa de saudosa memória.

Na extensão e na fundura dos valores semeados pela sabedoria dos pais e estendidos à prole - Nelson Filho, Fátima, Marcos, Fábio e Tetê - , sua vida se viu atirada ao entrelaço das dedicações ao lar, ao Direito e à valorização do ser humano em suas legítimas ansiedades. 

Ele queria ser da liberdade - e foi - um empenhado artífice intelectual, mobilizador; provocou e instigou consciências; não se limitou à encolhida estreiteza dos que esperam a melhor hora. Nelson Trad fez seu tempo. Os versos de Vandré servem para explicá-lo: quem sabe faz a hora, não espera acontecer. 

No júri, ainda que fosse visto como uma espécie de senhor dos tribunais, dava-se à grandeza de submeter-se aos sagrados e pétreos regramentos jurídicos, pontuava na planície do respeito e da ética o tratamento com julgadores, julgados, defensores e acusadores. 

Quando se elegeu e exerceu o mandato de vice-prefeito (1963-64), encurtado por um regime discricionário, não se refugiou no silêncio ou no recato da prudência e pôs sua voz e seu pensamento para contrapor-se ao obscurantismo. Deu-se inteiro à sanha do obscurantismo. Porém, quem lhe cassou o mandato não teria jamais a iluminura de enxergar que seria preciso muito mais que uma vida ´ou uma morte - para silenciar uma voz que ecoa nas cordas sonoras do tempo e do pensamento, uma voz inadestrável.

Vice-prefeito de janeiro de 1963 a abril de 1964; procurador-geral do Estado (1979-80); secretário estadual de Justiça no governo de Pedro Pedrossian (1980-82); deputado estadual de 1983 a 1991; e deputado federal de 1991 a 2011; o advogado, professor e intelectual Nelson Trad era o cidadão simples que acariciava os pais, a esposa e os filhos com a mesma ternura que dedicava aos aprendizados da mestra maior - a vida! 

Poder-se-ia afirmar que em 23 capítulos distribuídos por 270 páginas, com a incorporação de mais de 70 depoimentos e obstinada busca de registros de época, o espartano empenho do jornalista e biógrafo Oscar Ramos Gaspar foi premiado. No entanto, a obra representa um prêmio às diferentes gerações de sulmatogrossenses, em particular, e de brasileiros, em geral, necessitados de protagonismos exemplares que possam acrescentar claridade e humanidade às transformações sociais e políticas.

Enquanto isso, a saga milenar e libertária de sabedoria e humildade dos povos árabes, representada no livro dos tempos que fazem a história deste Estado e esculpida nas palavras serenas do cônsul Assaf Trad - a de que somos uma civilização de coração aberto para o mundo -, frutifica à sombra do cedro milenar. Suas raízes são regadas por lágrimas saudosas e agradecidas dos que mantém viçosa e  fortalecida a árvore de um amor que tem nome.

 

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