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segunda, 22 de abril de 2019

OPERAÇÃO SANGRIA

Propina paga a Jorge Lafeta era transportada em mochila

Esquema queria monopolizar saúde na Capital do MT

Por: NOTÍCIA MAX10/04/2019 às 11:15
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Foto: Reprodução/Notícias Max

A Operação Sangria apura irregularidades em contratos de prestação de serviços médicos hospitalares, firmados com o município de Cuiabá e o governo de Mato Grosso. Documento obtido com exclusividade pelo Notícia Max aponta que o dinheiro pago em propina era transportado até em mochilas por um dos envolvidos no esquema criado para monopolizar a saúde na Capital.

Em depoimento à Justiça, o ex-funcionário do grupo empresarial, composto pela empresas Qualycare, ProClin e Prolabore, Marco Aurélio Carvalho Cortes, disse que o grupo participava de processos licitatórios e prestava serviços ao Estado, e que todos os contratos firmados durante o período em que trabalhou na empresa eram mantidos com o pagamento de propina ao então secretário de Saúde Jorge Lafeta.

Conforme o depoimento, para cada contrato, era pago a importância de R$ 20 mil de propina; sendo que os contratos mais robustos eram da Proclin e Qualycare, destacando que os contratos da Proclin firmado com pagamento de propina eram do Hospital São Benedito, e Hospital Metropolitano.

“Jorge Lafeta recebia em torno de R$ 20.000,00 por contrato, eram sacados por Adriano Souza e Celita Liberali, mãe de Fabio Liberali, os valores eram emitidos em cheques da Proclin e sacados na boca do caixa certa de dois dias após a liquidação da fatura pela Administração Pública”, afirma trecho do depoimento.

Marcos Aurélio afirma que por diversas vezes Lafeta participou de reuniões na sede da Proclin, localizada em uma sala do Santa Rosa Tower, para tratar de pagamento de propina, sendo que na sala de reuniões foi instalada, por sua orientação, uma câmera que gravou todos os encontros, e disse acreditar que a filmagem das reuniões encontram-se em poder de um dos médicos proprietários da empresa, possivelmente de Fabio Liberalli, pois era ele  quem fazer o back up das filmagens.

“Afirma que por cinco ou seis vezes participou destas reuniões com Jorge Lafeta, para tratar sobre a liberação das faturas em favor da PROCLIN, afirma que a mãe de Fabio Liberali, será Celita Liberali e Adriano, sempre sacavam o dinheiro da propina na conta da Proclin da Unicred ou Banco do Brasil”, diz o depoimento.

Conforme o depoimento, os saques eram feitos na boca do caixa e o dinheiro levado de volta para a Proclin, onde Jorge Lafeta chegava sempre com uma mochila para carregar o dinheiro, sendo que tal fato, conforme Marcos Aurélio, pode ser facilmente comprovado com o extrato bancário da empresa.

“Recebia-se a fatura e em seguida era sacado na boca do caixa por Adriano ou Celita; perguntado se os contratos das outras empresas do grupo também eram mantidos a partir do pagamento de propina a servidores, respondeu que também a Qualycare fazia o pagamento de propina para que seu contrato fosse mantido junto ao MT Saúde”.

Marcos Aurélio afirmou ainda que a Qualycare pagava 10% do valor da fatura em dia imediato a liquidação da mesma ao então presidente do MT Saúde Flavio Taques e a Carlos Holanda, sendo que tal pagamento poderá ser constatado se confrontado o saque na boca do caixa de 10% do valor pago pelo em Estado na mesma data.

“Disse que toda vez que O MT Saúde liberava uma fatura, era pago ao Carlos Holanda em cheque da Qualycare ou era descontado na boca do caixa do Banco do Brasil ou Unicred, e sempre que o cheque era descontado o gerente ligava ao depoente para que fosse liberado, tendo em vista que eram valores grandes”, cita o depoimento.

No depoimento Marcos Aurélio ainda afirma que por dois anos a Qualycare teve contrato com a Prefeitura de Cuiabá, e em razão do atraso no pagamento da fatura, o então secretário adjunto de Saúde Huark Douglas Correia da Costa acertou o pagamento de propina ao então secretário Lamartine Godoy, sendo que Huark pegou o dinheiro dizendo que iria repassar a Lamartine, mas não podendo afirmar se de fato isso ocorreu, mas que o pagamento foi liquidado.

“Disse que em dezembro de 2013, o município tinha uma dívida com a Qualycare, Huark aproveitou-se da condição de secretário adjunto para que nas férias de Lamartine, liberasse o pagamento em atraso em favor da Qualycare, perguntado o valor do pagamento, disse que acredita ser algo em torno de R$ 300.000,00”, apontou, e que o valor caiu na conta da Qualycare exatamente enquanto Huark respondia como secretário municipal de Saúde.

O CASO 

Conforme a Polícia Civil, a investigação da Operação Sangria apura fraudes em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, referente a condutas criminosas praticadas por médicos e administradores de empresa, funcionários públicos e outros.

O objetivo é apontar com precisão o valor do prejuízo causado ao erário, vinculados à Secretaria Estadual de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização, em especial, a Proclin e a Qualycare.

Segundo a apuração, a organização mantinha influência dentro da administração pública, no sentido de desclassificar concorrentes, para que ao final apenas empresas pertencente a eles (Proclin/Qualycare) possam atuar livremente no mercado.

A reportagem por reiteradas vezes tentou contato com ex-secretário Jorge Lafetá, inclusive ligando em seu consultório, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.

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