14 de maio de 2021
Campo Grande 26º 17º

Cesta básica em Campo Grande teve aumento de 12,38% em doze meses

A- A+

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou hoje pesquisa que mostra aumento de 1,84% nos treze itens que compõem a cesta básica em Campo Grande no mês de dezembro em comparação ao mês anterior. Esta é a quinta alta consecutiva deixando a cesta básica 12,38% mais cara que no mesmo período do ano de 2012.

A Cidade Morena é a nona capital em aumento de preços. Aracaju em Sergipe (-0,88%) e Rio de Janeiro, Capital, (-0,43%) registraram redução na cesta básica e em Vitória (ES) registrou-se estabilidade nos valores. Porto Alegre (RS) apresentou a cesta básica mais cara de todo o Brasil: R$ 329,18.

Em dezembro, 48,97% do rendimento líquido do salário mínimo foi comprometido na compra da cesta, deixando a comida R$ 4,20 mais cara. Com o valor de R$ 903,60 em dezembro, contra R$ 899,40 no mês de novembro, o aumento fez com que a Cesta fosse equivalente a 1,33 vezes o salário mínimo bruto em vigor.

No mesmo período de 2012, o trabalhador desembolsava R$ 798,18 para comprar estes 13 itens de alimentação para sua família. Em um ano, houve um acréscimo total de R$ 105,42, uma média de R$ 8,78 por mês, e a cesta foi equivalente a 1,28 vezes o salário mínimo bruto vigente no período, no valor de R$ 622,00.

Preço médio, gasto mensal e tempo de trabalho necessário em dezembro de 2013

tabela 1

As variações positivas ao longo dos últimos cinco meses foram moderadas em função do equilíbrio entre produtos com preços altos e baixos. Em dezembro de 2013, porém, somente dois produtos apresentaram queda de preço.

Os preços do açúcar (12,67%) e do pão francês (6,08%) apresentaram a maior variação entre as dezoito capitais pesquisadas. Os outros produtos que compõe este grupo onde se registrou variações positivas são farinha de trigo (6,87%), tomate (5,35%), banana (3,93%), batata (3,79%), café (0,79%), arroz (0,47%), óleo de soja (0,31%), carne (0,26%) e feijão (0,22%).

A manteiga (-6,90%) foi o produto com maior retração entre todas as capitais pesquisadas, seguida pelo leite (-0,34%).

Como geralmente costuma acontecer, variações no insumo têm impacto no preço do derivado. A manteiga (-6,90%) teve redução expressiva em dezembro, acompanhando a redução moderada no preço do leite (-0,34%). A situação dos preços foi revertida com a recomposição dos estoques, pois estamos no período de safra desta cadeia produtiva, que apresentou expressiva oferta do leite por boa parte dos produtores no período.

O caso do açúcar (12,67%), apesar dos preços no mercado externo, tanto para o açúcar quanto para o etanol fecharem 2013 em baixa. O recente reajuste nos preços dos combustíveis forçou o preço do bem para cima no mercado interno.

Variações expressivas também foram notadas no preço da farinha de trigo (6,87%) e do pão francês (6,08%), entre todas as capitais pesquisadas. Em 2013, o preço do cereal aumentou consideravelmente, apesar das medidas pontuais do governo para tentar estabilizar o preço. A boa safra observada no RS, um dos principais mercados produtores, ao lado do PR, e a retomada do fornecimento por parte da Argentina e Uruguai sugerem estabilidade dos preços, ainda que em um patamar elevado.

O preço da banana (3,93%) em Campo Grande voltou a registrar alta, mas não tão forte quando comparada à variação observada no mês de novembro. A demanda aquecida, em função do pelo período de férias e festas de final de ano, contribuiu para que o preço deste produto se sustentasse em alta, assim como para a retomada da alta nos preços de tomate (5,35%) e batata (3,79%), depois de considerável retração observada em novembro.

Outros produtos que voltaram a integrar o rol de itens com preços em elevação, ainda que de forma discreta, foram o café (0,79%) e o arroz (0,47%). O mercado interno ajudou a recuperação dos preços do café, cuja cotação foi predominantemente baixa durante boa parte de 2013. No caso do arroz, a retenção por parte dos vendedores fez com que o preço apresentasse ligeira alta.

Óleo de soja (0,31%), carne (0,26%) e feijão (0,22%) encerram o rol de produtos que registraram alta de preços no último mês de 2013.

Em 19 de dezembro o Governo federal publicou a portaria 1.260, que decretou, pelo período de um ano, situação de emergência fitossanitária em MS em função do risco de surto da praga Helicoverpa Armigera, que ataca as lavouras de soja.

Considerando que os produtores devem adotar medidas previstas para o manejo da praga, o que inclui, segundo especialistas do setor, importação de defensivos, adoção de áreas de refúgio, vazio sanitário e a destruição de restos da cultura , os preços tendem a permanecer em alta.

A demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto no mercado externo, sugerem uma tendência de alta nos preços da carne, trajetória normal do último mês do ano, marcado por festas e férias. No caso do feijão, algumas regiões com vazio sanitário diminuíram a oferta do grão, o que permitiu a recuperação do preço.

Diana Christie com Dieese