29 de setembro de 2020
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ENTREVISTA

Os 3 poderes precisam de reformas urgentes, afirma sindicalista de MS

No STF R$ 15,7 milhões, mês com médico; odontológico, R$2,1 milhões; educação pré-escolar, 19 jornalistas, 27 garçons...

O Brasil precisa urgentemente de uma reforma para reduzir drasticamente os gastos públicos nos Três Poderes. Se as autoridades constituídas do executivo, legislativo e judiciário brasileiro, querem que o país saia da crise econômica, social e política que enfrenta há anos, precisa se dar como exemplo e promover as mudanças necessárias para evitar o abuso de gastos financeiros como se verifica hoje. Afirma José Lucas da Silva, presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso – Feintramag MS/MT.

Para ele, é inconcebível um órgão como o Supremo Tribunal Federal – STF, por exemplo, possuir hoje 2.450 funcionários. Uma média de 222  funcionários por cada um dos 11 ministros da casa. O órgão, segundo levantamento divulgado nacionalmente pelo Senador Cajuru, possui alguns números inconcebíveis como: 19 jornalistas; 80 secretárias; 116 serventes de limpeza; 24 copeiras e 27 garçons.

“A extravagância do SFT não termina aí”, afirma José Lucas da Silva  citando outros números fornecidos pelo senador José Kajuru (PSB-GO): O órgão gasta mensalmente R$ 15,7  milhões com atendimento médico e odontológico dos ministros e funcionários; R$ 2,1 milhões com educação pré-escolar; Possui em seu quadro de servidores 12 auxiliares de desenvolvimento infantil. A farra com o dinheiro público vai muito mais longe e se entrar na parte salarial e de gratificações e outros nomes, as coisas ficam muito pior.

Na Câmara dos Deputados, segundo José Lucas, a farra com o dinheiro público não é diferente. Além dos elevados salários e outras mordomias financeiras, os 513 “ilustres” parlamentares contam ainda com 432 apartamentos funcionais com mais de 200 metros quadrados cada um. Além disso, ainda recebem mais de R$ 4 mil de auxílio moradia. O apartamento destinado ao presidente da casa é 4 vezes maior, informa o sindicalista, com base nas denúncias levadas a público pelo senador Cajuru e outros organismos sociais.

Os deputados federais contam com uma verba chamada de “cotão” no valor de R$ 45 mil/mês para custear despesas  com restaurantes, por exemplo. E mais R$ 27 mil  com passagens aéreas e R$ 101 mil/mês para contratação de assessores.

No Senado Federal, os parlamentares têm tudo isso e muito mais. Os apartamentos disponibilizados aos 81 senadores medem 500 metros quadrados. As assembleias legislativas dos Estados custam aos cofres públicos, segundo o senador Kajuru, mais de R$ 20 bilhões.

“Como podem nossas autoridades arrocharem a vida dos nossos aposentados e estabelecer um salário mínimo de pouco mais de R$ 1.000,00 e manter essas e tantas outras regalias?”, questiona o sindicalista dizendo que permitir essas mordomias é imoral e indecente. “Apesar de legal, isso precisa mudar, pois não cabe mais, nos tempos de hoje, mantermos esses tipos de coisas”, afirma José Lucas.

Assim como houve as reformas trabalhista e da Previdência, ele sugere que as autoridades tratem logo de promover reformas nos três poderes para cortar absurdos como esses que denunciados e que levam boa parcela de recursos públicos para o enriquecimento de uma minoria, em detrimento do povo que não tem uma atendimento adequado  em qualquer das áreas como educação, saúde e infraestrutura. “Reformas nos três poderes, já”, afirma o presidente da Feintramag.