27 de setembro de 2020
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Redes investem R$ 5 mi em lojas-conceito para atrair novos franqueados

Algumas franquias, como a rede de lingeries Hope e a de artigos infantis Tip Top, têm apostado na criação de lojas-conceito –também conhecidas como flagship stores, em inglês– para aproximar os consumidores da marca.

No caso das franqueadoras que possuem este modelo de loja, a estratégia tem ainda mais uma finalidade: ajudar a atrair candidatos que queiram abrir uma franquia.

Elisa Scabbia, diretora de operações da Hope, que possui uma loja-conceito na rua Oscar Freire, em São Paulo, diz que, na loja de 200 metros quadrados, os produtos são expostos de maneira diferente, mais minimalista (com poucos elementos) e valorizando os atributos de cada linha.

A decoração também é diferente, com sofás confortáveis e iluminação mais quente, para criar um ambiente intimista. Além disso, o espaço é utilizado para eventos, como lançamento de coleções.

"Por meio dos eventos, atraímos para a loja os principais clientes, os franqueados, que podem acompanhar de perto as ações da empresa, celebridades e imprensa. Dessa forma, trazemos visibilidade para a marca, e acaba sendo benéfico para toda a rede", diz.

O investimento foi de R$ 5 milhões para a loja-conceito, inaugurada em abril de 2012. Ela não revela o faturamento da unidade, mas, segundo Sabino, o projeto deu tão certo que os espaços regulares, de 40 metros quadrados, vão incorporar elementos da loja da Oscar Freire quando forem reformados.

"As lojas passarão a ser mais intimistas, com exposição menos massificada dos produtos. O piso também seguirá o da flagship store, intercalando cimento com carpete. A primeira unidade a seguir essa linha deve ser inaugurada no início de 2014, em Campinas", declara.

Sabino diz que a loja-conceito ajuda também na atração de candidatos à franquia. "Quando conhecem o local, os interessados em abrir uma unidade se encantam ainda mais com a marca e já querem partir para o negócio", afirma.

Rede vai transformar megaloja em franquia

Outra rede que está apostando numa loja diferenciada é a Tip Top, de vestuário infantil. Há três meses, foi inaugurada, no bairro do Morumbi, em São Paulo, um mega store com 600 metros quadrados.

No local, além dos produtos de marca própria, são comercializados itens relacionados ao universo infantil, como carrinhos de bebês, fraldas, mamadeiras e brinquedos.

De acordo com Ricardo Marcondes, gerente de expansão da Tip Top, o objetivo da empresa é criar um novo conceito de loja, onde os consumidores possam passar horas fazendo suas compras confortavelmente e que reúna todos os produtos relacionados ao universo infantil em um só lugar.

"Além dos produtos próprios, oferecemos itens de marcas famosas que são nossos fornecedores. Mas o cliente, quando vai à loja, vai pela marca e pelos produtos Tip Top", declara Marcondes.

O investimento da empresa foi de R$ 5 milhões para a abertura da unidade, mas o retorno tem sido tão positivo, segundo Marcondes, que eles já estão formatando o negócio para oferecer também a mega loja como opção de franquia.

"Já recebemos candidatos à franquia que nos procuraram depois de conhecer a mega store, interessados tanto neste modelo, quanto no tradicional, de 40 metros quadrados. Estimamos que o investimento para a abertura de uma mega loja será entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões", diz.

Loja-conceito não deve concorrer com as demais da rede

Marcelo Sinelli, consultor de marketing e vendas do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), diz que o objetivo principal das lojas-conceito deve ser a oferta de uma experiência diferente para o consumidor e não tanto a venda.

"Esta loja diferenciada não pode ser considerada mais um ponto de venda pela franqueadora. Ela existe para reforçar o conceito da marca. Dessa forma, o franqueado se beneficia da construção da imagem, do relacionamento que é construído com clientes especiais em eventos que acontecem nela e com a divulgação", afirma.

Algumas lojas-conceito oferecem produtos exclusivos, que não estão à venda em outras unidades. A Hope fez isso com uma linha de lingeries desenhada pela blogueira e empresária de moda Helena Bordon. Porém, se a estratégia for usada com moderação, não afeta as vendas das demais lojas da rede, de acordo com o consultor.

"É interessante que a loja-conceito tenha coisas exclusivas, porque ela tem de ter diferenciais. Se ela tiver 100 produtos, ela não pode vender 50 exclusivos. Tem de ser apenas os mais importantes, os mais caros, que não são o carro-chefe e que vão passar o conceito da marca", declara Sinelli.

(Agência UOL)