Enquanto trabalhadores brasileiros enfrentam jornadas exaustivas, baixos salários e adoecimento crescente, parte da bancada federal de Mato Grosso do Sul decidiu atuar contra os trabalhadores.
Quatro dos oito deputados do Estado assinaram a emenda que visa esvaziar a PEC do fim da escala 6×1, proposta que tenta reduzir um dos modelos de trabalho mais criticados do país.
Os deputados de MS inimigos dos trabalhadores são: Beto Pereira, Marcos Pollon, Luiz Ovando e Rodolfo Nogueira.
A emenda foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra e recebeu 176 assinaturas na Câmara. Na prática, o texto funciona como uma operação de sabotagem contra a proposta encabeçada pela deputada Érika Hilton, que prevê o fim da jornada de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
Embora setores da extrema direita tentem vender a medida como “modernização” das relações trabalhistas, o conteúdo da emenda amplia brechas para jornadas de até 52 horas semanais, adia por uma década a implementação das mudanças e reduz a proposta original de 36 horas para 40 horas semanais. Em outras palavras: mais tempo trabalhando, menos descanso e ainda mais poder para patrões negociarem individualmente com empregados em um país marcado por desemprego e informalidade.
O texto também permite flexibilizações sem necessidade de compensações ao trabalhador, mantém jornadas ampliadas para setores considerados essenciais e cria benefícios fiscais para empresas. A proposta, trata-se de mais um capítulo do projeto ultraliberal que, sob o discurso da liberdade econômica, transfere o peso da crise para quem vive de salário mínimo.
Nas redes sociais, Érika Hilton expôs os parlamentares favoráveis à emenda e acusou setores conservadores do Congresso de tentarem impedir avanços mínimos nas condições de trabalho da população.
O grupo político que atua contra os trabalhadores é o mesmo que se vende defensor da “família brasileira”, mas querem sugar a vida em família por seis dias.
A movimentação da bancada alinhada ao bolsonarismo e à direita tradicional ocorre em meio ao crescimento do debate nacional sobre burnout, saúde mental e precarização. Ainda assim, deputados ligados à extrema direita seguem tratando a redução da jornada como ameaça ao mercado, enquanto preservam um modelo de trabalho herdado de décadas passadas e cada vez mais rejeitado pelas novas gerações de trabalhadores.











