04 de maro de 2021
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Inflação

Alimentação e habitação elevam a inflação ao 2º maior índice do ano

Na Capital é o segundo maior percentual desde 2015, no mês de outubro

O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), referente ao mês de outubro, registrou inflação de 0,78%, o segundo maior índice do ano, superando a taxa de setembro que foi de 0,42%. 

A informação foi divulgada nesta terça-feira (13), pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepe) que destaca alimentação e habitação como os segmentos que mais impulsionaram a alta. 
No caso, a alimentação registrou inflação de 2,07%, habitação foi de 0,74% e transportes chegou a 0,70%.

Na sequência vem a educação (0,64%), despesas pessoais (0,25%) e saúde (0,06%). O setor de vestuário foi o único em Campo Grande a apontar deflação de - 1,89%, contribuindo para controlar a alta inflacional. 

Segundo o coordenador do Nepes da Uniderp, Celso Correia de Souza,  a inflação registrada para o mês confirma uma retomada do processo inflacionário.

"Os aumentos dos alimentos e dos combustíveis podem ser vistos como os grandes culpados pela elevação dessa taxa em outubro. Para os próximos meses, o que se espera são inflações mais elevadas devido às festas de final de ano, período de aumento de consumo", revela.

Souza destaca que a queda no preço do dólar pode trazer "algum" alívio para a economia brasileira, pois, "deixará de impactar a inflação com aumentos dos preços de produtos natalinos importados, bem como, outros produtos como trigo, máquinas de alta precisão, eletroeletrônicos e gasolina". 

Em sua análise, o coordenador considera que a redução da cotação da moeda estrangeira também sofrerá mais concorrências externas, dificultando a exportação, aumentando a oferta interna desses produtos, controlando os preços no mercado nacional.

ACUMULADO 2018

Considerando os dez primeiros meses de 2018, a inflação acumulada chegou a 3,66%. No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa está em 4,49%, colada à meta de 4,5%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) para o ano todo.

"Já não se pode afirmar que existem possibilidades de se chegar a dezembro com uma inflação acumulada abaixo dos 4,5%, como aconteceu em 2017, quando registrou 2,60%", projeta Souza.

VILÕES E MOCINHOS

No grupo alimentação, os itens com maior alta de preços foram: o tomate(119,08%), cebola (96,33%) e batata (53,34%). Em contrapartida, tiveram redução no valor: repolho (-27,99%), chuchu (-18,38%) e farinha láctea (-14,68%).

Dos quinze cortes de carnes bovina pesquisados pelo Nepes da Uniderp, oito tiveram alta nos preços: acém (8,22%), contrafilé (7,83%), paleta (6,74%), alcatra (6,74%), costela (6,38%), lagarto (4,72%), coxão mole (2,71%) e ponta de peito (0,85%). 

Foram constatadas reduções de preço com: músculo (-4,76%), patinho (-1,50%), vísceras de boi (-1,14%), picanha (-0,54%), filé mignon (-0,49%), cupim (-0,04%) e fígado (-0,04%). Quanto a carne suína, tiveram aumentos de valor o pernil (2,78%) e a costeleta (1,55%); já a bisteca caiu (-1,71%). O frango resfriado e os miúdos registraram alta de 5,44% e 2,31%, respectivamente.

Na avaliação do pesquisador, a retomada do preço da carne já era esperada. "Houve aumento do consumo e também os reflexos do campo, como as dificuldades com as pastagens que ainda estão se recuperando da longa estiagem dos meses anteriores. Os frigoríficos estão abatendo gado bovino confinado mais caro do que o gado engordado em pastagens naturais e artificiais. É possível que haja um aumento extra no preço da carne bovina devido a retomada da importação por parte da Rússia", esclarece.