19 de abril de 2021
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TRISTEZA

Brasileiro tenta entrar ilegalmente nos EUA e morre ao cair do muro

Entre 2017 e 2019, Diogo Fernandes tentou obter o visto por três vezes, mas não conseguiu

Diogo Fernandes de Oliveira, de 36 anos, morreu ao caiu de um muro tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos. O administrador de empresas, caiu do muro que faz fronteira entre o México e o estado do Texas. Na queda, ele bateu a cabeça e quebrou a bacia. A informação é do G1. 

Ontem, 2ª-feira (14.dez.2020), a família enviou uma procuração para conhecidos que moram nos Estados Unidos a fim de contratar uma empresa para fazer o traslado do corpo do México para São Luís de Montes Belos (GO), onde será sepultado.

A última ligação de Diogo Fernandes foi para o pai, de 60 anos. Eles se falaram em 7 de dezembro, por volta de 21h. O familiar contou que a ligação ocorreu horas antes da travessia entre os dois países. "Pai, vou fazer a travessia agora a noite, depois nos falamos. Beijos", e assim, de forma carinhosa, Diogo se despediu da família naquela noite.

O próximo contato com a família, porém, foi do consulado brasileiro no México, na manhã do sábado (12.dez.2020), com a notícia da morte. O familiar, que mora em Goiânia, viajou para São Luís de Montes Belos no domingo (13.dez) para conversar com o pais, que ficaram inconsoláveis. "Ele sempre teve o sonho de ir para os Estados Unidos. Estava cheio de planos para ele e a noiva. O objetivo dele era dar melhores condições de vida para a família, principalmente para os pais", relatou o familiar.

PLANEJAMENTO

Entre 2017 e 2019, Diogo Fernandes tentou obter o visto por três vezes, mas não conseguiu. Ele trabalhava como gerente de uma loja em um shopping de Goiânia, que acabou fechando por causa da pandemia de coronavírus. Desempregado e com o sonho da mudança de vida, contratou um coiote e comprou a passagem para Cancún, no México. "Lá, o coiote que ele contratou estava esperando para levar para um lugar reservado, onde um grupo aguardaria o momento da travessia. Mas aconteceu a fatalidade", desabafou um parente.

Diogo planejou a viagem quando ficou desempregado. A família, no entanto, diz não ter nenhuma informação sobre quem era o coiote, a pessoa contratada para ajudar na travessia ilegal.

Antes de planejar a travessia ilegal, o parente diz que conversou Diogo, alertou sobre os riscos e aconselhou que esperasse mais tempo para tentar obter um visto. Mas, o administrador de empresas estava decidido a ir após ler relatos positivos de pessoas que fizeram a mesma travessia que ele tentou.

SONHAVA COM VIDA MELHOR

Nos Estados Unidos, amigos esperavam ansiosamente a chegada do goiano. O familiar explicou que algumas pessoas que moram legalmente no país ofereceram ajuda com moradia e emprego. "Ele não estaria sozinho nos Estados Unidos. Conhecidos nossos ajudariam ele a arrumar trabalho e casa para morar. Depois, ele seguiria a vida por conta própria", relatou o parente.

Além de ajudar financeiramente os pais, o goiano pretendia juntar dinheiro, arrumar uma casa própria para levar a noiva para morar com ele. A família não soube dizer se a mulher tem visto ou tentaria obter o documento.

O QUE DIZEM AS AUTORIDADES 

O Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado Geral na Cidade do México, disse que presta toda a assistência legal e materialmente possível a brasileiros naquele país, respeitando os tratados internacionais vigentes e a legislação local, conforme estabelecido pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares, o Regimento Interno da Secretaria de Estado das Relações Exteriores e o Manual de Serviço Consular e Jurídico do Itamaraty.

Em caso de óbito de cidadão brasileiro no exterior, como parte do serviço de assistência a nacionais, as embaixadas e os consulados brasileiros prestam aos familiares orientações gerais, no sentido de apoiá-los em suas decisões relativas, por exemplo, ao traslado dos restos mortais, auxiliam seus contatos com autoridades locais, com vistas a obter todos os esclarecimentos necessários sobre os fatos, e, por fim, cuidam da expedição de documentos, como o atestado de óbito brasileiro. Em casos de morte em circunstâncias suspeitas, a assistência consular também inclui o acompanhamento das investigações junto às autoridades locais.