25 de novembro de 2020
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TRATAMENTO

Cloroquina chega à cinco cidades de MS; sem pesquisas de eficácia

Fora do ambiente laboratorial, não existe um estudo clínico que aponte que o remédio funcione de fato em pacientes com covid-19 ou que seja seguro para essas pessoas

Secretarias municipais de 12 municípios de Mato Grosso do Sul receberão os comprimidos de cloroquina enviados pelo Ministério da Saúde. O medicamente deverá ser usado nos casos mais graves de Covid-19, e agora, já analisados os riscos, e com doses corretas, poderá ser utilizado em uma tentativa de tratamento contra o coronavírus. 

Um ofício foi entregue pelo secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, apontando ainda as unidades hospitalares que devem receber o medicamento. Ao todo, cinco mil medicamentos serão distribuídos. “De forma equilibrada e transparente fizemos a divisão do medicamento por número de habitantes de cada cidade”, explicou o titular da pasta.

Apesar de pesquisadores terem evoluído em estudos nos usos do componente, ainda não há evidências científicas suficientes que comprovem a eficácia da cloroquina. O protocolo prevê cinco dias de tratamento e é indicado apenas para pacientes hospitalizados.

Os municípios que irão receber o medicamento são: Aquidauana, Campo Grande, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã, Sidrolândia e Três Lagoas.

O que assusta mais no uso do medicamento sem comprovação científica finalizada é o que o composto poderia provocar, como uma mutação no vírus, vindo a torna-lo mais resistente a outros tratamentos e até mais letal. Tanto a cloroquina e a hidroxicloroquina não são indicadas para prevenir a doença e nem tratar casos leves.

Sobre o uso do medicamento, é importante enfatizar que duas unidades hospitalares em Mato Grosso do Sul realizam ensaios clínicos: o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e o Hospital Universitário, para assim criar uma base de dados mais consistentes sobre a substância. “É preciso total cautela, considerando que a eficácia do medicamento ainda não está comprovada cientificamente”, afirmou o infectologista Júlio Croda, coordenador de especialistas da Fiocruz/Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

TESTES 

Apesar de ele já ser um medicamento comercializado no mercado, é usado no tratamento de outras doenças e, precisaria ser amplamente testado em humanos para se avaliar sua eficácia contra o novo coronavírus e seus eventuais riscos a esses pacientes. E até a capacidade de mutar o vírus, o fazendo mais resistente a outros tratamentos.  

No estudo in vitro, pesquisadores chineses avaliaram o efeito antiviral da cloroquina e da hidroxicloroquina e verificaram que os medicamentos inibiram a tanto a etapa de entrada do vírus na célula quanto estágios celulares posteriores relacionados à infecção pelo novo coronavírus.

Houve bloqueio, por exemplo do transporte do vírus entre organelas das células, os endossomos e endolisossomos, que, segundo uma nota técnica divulgada pela Anvisa, parece ser a etapa determinante para a liberação do genoma viral nas células.

Fora do ambiente laboratorial, não existe um estudo clínico que aponte que o remédio funcione de fato em pacientes com covid-19 ou que seja seguro para essas pessoas.