26 de outubro de 2020
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POLÊMICA

"Com religião se brinca sim", "Viva o humor! E, por que não, viva Jesus!", diz Fábio Porchat

Humorista comentou ataque a produtora de vídeo do Porta dos Fundos em SP

Um dos maiores humoristas do Brasil, Fábio Porchat falou hoje (30), sobre o ataque com coquetéis molotov à sede do Porta dos Fundos, que ocorreu na madrugada do dia 24, véspera de Natal. "Com religião se brinca sim", em uma publicação em artigo no Jornal O Globo, nessa segunda-feira, ele defendeu ainda, liberdade de expressão, bem como o direito das pessoas de se sentirem ofendidas com alguma piada, desde que não vá contra a lei.

"Sinto lhe informar, mas com religião se brinca sim. Com qualquer uma. Se brinca com religião, com futebol, com política, com a minha mãe, com o Detran, com o que você quiser. Isso não sou eu que estou dizendo, é a Constituição brasileira", escreve o ator no início da publicação.

O ator disse se orgulhar de "fazer parte de um núcleo criador que escancara nossa podridão". "Viva o humor! Viva a liberdade de expressão! Viva a tolerância! E, por que não, viva Jesus!", atenuou.

Ele e produtores de humor como Gregório Duvivier deram vida a um projeto intitulado A Primeira Tentação de Cristo, exibido na Netflix. Na produção, Jesus é interpretado por Gregório e estaria em um relacionamento com outro homem. A criação é assinada pelo Porta dos Fundos, com sede em São Paulo, após o lançamento do projeto na plataforma de streaming, ativistas religiosos teriam atacado a sede da empresa em represália ao conteúdo.

Porchat reforçou que: "Satirizar a Bíblia, olhe só, não é contra a lei. Chutar a Nossa Senhora é contra a lei. Depredar centros de umbanda é contra a lei. Dizer que você tem que parar de tomar remédio e só quem cura é Deus é contra a lei. Jogar coquetel molotov em uma produtora porque não gostou do que ela produziu é contra a lei. E, veja brincar com a imagem de Deus não é intolerância. Intolerância é não querer deixar que brinquem".

Ao defender a liberdade de expressão, o humorista afirmou que ele mesmo pode se sentir ofendido com alguma piada, mas, ainda assim, a outra pessoa tem o direito de fazê-la. Porchat lembrou que os especiais de Natal produzidos pelo Porta dos Fundos desde 2013 "nunca" tiveram "nenhuma reação violenta direta" e questionou o porquê de isso ocorrer em 2019.