22 de abril de 2021
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Entre guerra de banqueiros e bancários a população sempre é vítima

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Quem nos últimos oito dias se deslocou até uma agência bancária certamente se deparou com portas fechadas. Na capital, 95% das agências não estão operando. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região  o motivo da greve são reivindicações antigas, como reajuste de 16% nos salários, mais contratações, garantia de emprego, fim da terceirização, do assédio moral e da rotatividade.

Segundo o presidente do sindicato, Edvaldo Barros, além de melhorias para os bancários, a paralisação tem também como finalidade trazer  benefícios para a população.

“Independente da greve, a população é diretamente afetada com o descaso dos banqueiros a falta de funcionários e isso vem piorando a cada dia. Cada vez mais os clientes estão sendo direcionados aos caixas eletrônicos, ou outros meios que não têm o mesmo padrão de atendimento e nem mesmo segurança”, explica Edvaldo.

Mesmo com o país passando por uma crise, os banqueiros continuam lucrando fortunas, sem investir o suficiente na melhoria das condições de trabalho de seus funcionários, o que resulta em um péssimo serviço oferecido à população. Os cinco maiores bancos do país tiveram um crescimento de 27% em relação ao mesmo período de 2014. Ou seja, lucraram R$ 36,3 bilhões no primeiro semestre de 2015. Essa disparidade revolta os bancários que tem como sua única arma de combate a greve. “Nossa questão não é só econômica, e sim, uma série de fatores que envolvem o dia a dia dos bancários, consequentemente recai sob nos clientes e usuários de bancos.” Completa o presidente.

No meio desta batalha está a população, que fica por muitas vezes impossibilitada de realizar o pagamento de seus débitos em dia, o que gera juros e multa. Os especialistas dizem que é importante se prevenir de eventuais cobranças de multas por atraso, guardando provas da tentativa de pagamento da conta e se sentindo lesado o mesmo deve procurar um órgão de defesa do consumidor, como o Procon. Caso a questão envolva dano moral, é possível levar até ao Poder Judiciário.

Se a paralisação é por uma “boa causa”, tendo também como finalidade a melhoria dos serviços prestados à população, acreditamos que a greve seja válida. O difícil é entender como as instituições responsáveis deixam chegar a este ponto. É preciso que os funcionários cruzem os braços e a população fique sem  atendimento para que atitudes sejam tomadas? Temos  a  impressão de que os bancos estão nos prestando um favor, sendo que pagamos, e pagamos muito caro por estes serviços. As taxas bancárias cobradas no Brasil estão entre as mais altas do mundo.

Sendo obrigado a provar que tentou pagar suas contas para se livrar dos juros além de gastar tempo e paciência atrás dos órgãos de defesa do consumidor, a população continua, como sempre, pagando pelo prejuízo enquanto nenhuma das partes (banqueiros e bancários) hasteie a bandeira branca.

Vítimas sempre

Os órgãos de defesa do consumidor orientam que o correntista tente de todas as formas pagar suas faturas com vencimento durante o período da greve e, depois exijam seus direitos caso sejam cobrados juros ou multas. Para isso devem anotar o número do protocolo - em caso de tentativa via telefone, sites, ou aplicativos dos bancos - ou guardar os recibos dos caixas automáticos.

A questão é saber quem se disporá a dispender um tempo imenso, com prejuízo do dia trabalhado, aguardando para ser atendidos  nos Procons por uma diferença em suas contas ou se disporá a buscar defensores públicos. Outra questão é exigir que a população, em sua maioria, saiba utilizar os caixas automáticos e acessos por internet. 

Seria como exigir que, em caso de greve de transporte coletivo urbano, o passageiro fizesse uma selfie de sua presença no ponto de ônibus para ser ressarcido a posteriormente pelo valor da passagem. 

O Brasil é um país de mentirinha. Faça de conta que você pode exercer seus direitos, nós fazemos de conta que defendemos seus direitos. Nós outros estamos pouco nos lixando pra vocês, afinal e no final, o lucro é nosso.