20 de setembro de 2021
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Formatura

Estudantes de medicina antecipam formatura no Ceará para entrar no Mais Médicos

Número de solicitações de registro no Conselho Regional de Medicina do Ceará totalizou, em três dias, 25% do esperado para o ano todo.

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A abertura de vagas para o programa federal Mais Médicos, após o fim do convênio entre Brasil e Cuba, fez estudantes de Medicina do Ceará apressarem o processo de colação de grau. Uma das exigências para inscrição no certame era obtenção do registro no Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremec), o qual pelo menos 250 recém-formados procuraram desde a última quarta-feira (21).

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou que não iria manter o programa com pagamento ao governo cubano, que fica com 70% do salário dos médicos do país. Com a mudança, Cuba anunciou a saída do programa. O Governo Federal lançou um edital para o preenchimento das vagas, o que gerou uma corrida pelas inscrições.

Na quarta-feira (21), foram 30 inscrições no Ceará; na quinta (22), mais 195; e nesta sexta-feira (23), até meio dia, mais de 20 profissionais solicitaram o registro. Em menos de três dias, o total de 250 inscrições já corresponde a 25% da estimativa para o ano inteiro, conforme o presidente do Cremec, Dr. Helvécio Neves.

“Fizemos uma força-tarefa para dar suporte a essa avalanche. Alunos de várias universidades particulares, além da UFC de Fortaleza e de Sobral, vieram solicitar o CRM. Há uma dificuldade de emprego no Estado, uma escassez de concursos públicos, e aumentou o número de faculdades. Cerca de mil pessoas se formam por ano, e veem no Mais Médicos uma possibilidade atrativa”, avalia.

Um dos estudantes que adiantaram o encerramento da graduação com o objetivo de entrar no Mais Médicos foi Davi Gósson, 34, recém-formado em Medicina na Universidade de Fortaleza (Unifor).

"Antecipei, mas não consegui me inscrever. As vagas para o Ceará acabaram muito rápido, e eu não queria ir para outro estado. Mas o mercado de trabalho não é só Mais Médicos, a necessidade de médicos é uma demanda social que não acaba", declara Davi, cuja formação em Medicina se une à Odontologia no currículo.

O jovem Pedro Luiz Lopes, 23, também correu contra a burocracia para adiantar a colação de grau, obter o CRM e realizar inscrição para ocupar uma das vagas do Mais Médicos no Ceará – mas não houve tempo. Como os trâmites demoraram, todas as oportunidades no Estado acabaram, e ele agora avalia a possibilidade de insistir e ir para outras localidades, fora da terra natal.

“Para um recém-formado, os campos de trabalho possíveis são a atenção básica, que é o melhor lugar, ou a emergência, que infelizmente nem todo mundo se aventura, por causa da qualidade de vida. O Mais Médicos é uma excelente forma de começar, porque é emprego na atenção básica é garantido por um ano, com pagamento em dias, sem risco de calote. Por isso que todos os estudantes ficaram desesperados”, afirma Pedro.

O G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde para saber a quantidade de cearenses já inscritos no programa, mas a pasta informou que ainda não realizou o levantamento por unidade da federação. Em todo o Brasil, mais de 6,3 mil pessoas haviam feito a inscrição no programa até a tarde de sexta-feira.

Pelo edital, foram disponibilizados 443 postos de trabalho em 115 municípios e em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Ceará.

Remuneração

O presidente do Cremec alerta que o preenchimento das vagas desocupadas nos 115 municípios cearenses assistidos pelo Mais Médicos não é sinônimo de boa prestação de serviços em saúde. "Esperamos que os locais que precisam de médicos sejam supridos e que, além disso, haja melhora dos indicadores da qualidade de assistência. Não é só a presença do médico que melhora a saúde", frisa Dr. Helvécio Neves.

Atualmente, os profissionais alocados no Mais Médicos recebem bolsa-formação de R$ 11,8 mil e uma ajuda de custo inicial entre R$ 10 e R$ 30 mil para deslocamento ao município de atuação. Além disso, conforme o Ministério da Saúde, todos têm a moradia e a alimentação custeadas pelas prefeituras.

Conforme a Ministério da Saúde, aproximadamente 84% das vagas do novo edital do programa já foram preenchidas. No terceiro dia de inscrições, o último balanço do MS registra 19.994 inscritos com CRM Brasil ou que revalidaram o diploma no País. Do total, 13.341 foram efetivadas e 7.154 profissionais já estão alocados no município para atuação imediata.