24 de janeiro de 2021
Campo Grande 29º 22º

Sementes

Imasul alerta sobre riscos de áreas degradadas durante curso de coleta de sementes

“Cerca de 60% das terras brasileiras passam por algum processo de degradação. Nossos solos, ao longo do tempo, têm mudado de lugar e ido para lugares não tão adequados que são nossos córregos e rios. O CAR [Cadastro Ambiental Rural] veio como um importante instrumento de Raio X dos imóveis rurais sobretudo no que diz respeito aos aspectos de conservação do solo e áreas de APP [Área de Preservação Permanente]”, observou o diretor do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Ricardo Éboli, em seu discurso de abertura, nesta quarta-feira (28.11) do curso sobre coleta de sementes e produção de mudas de espécies do Cerrado e do Pantanal.

O curso, que termina nesta quinta-feira (29.11), está sendo realizado no auditório Shirley Palmeira, na sede do Imasul em Campo Grande, tendo como tema principal “Coleta, Conservação de Sementes, Produção de Mudas e Estratégias de Restauração Ecológica nos Biomas Pantanal e Cerrado”.

“Este evento e muitos outros que nós faremos no decorrer do ano que vem, é justamente para passar técnicas de restauração, de coleta de sementes, técnicas de revegetação dessas áreas que têm um interesse ambiental que seriam as áreas de APP e áreas de Reserva Legal”, afirmou Éboli. Ele avalia a questão da restauração ambiental não só como um aspecto de resgate das riquezas naturais, como da própria economia, que depende desse equilíbrio entre meio ambiente e produção.

O dirigente do Imasul aproveitou a oportunidade para fazer um pedido aos participantes: “Acreditem nesse núcleo de mercado futuro, digo isso a vocês, consultores. Isso será o futuro: a restauração dessas áreas de APP e Reserva Legal, será o futuro, aqui, no Estado. O agronegócio vai apertar cada vez mais a responsabilidade dos produtores que não se moveram, ainda, nessa restauração e com o CAR, e as imagens satélites, vamos trabalhar em cima disso tudo nos próximos anos”.

Dentro desse viés de consciência ambiental no setor produtivo, o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), André Nogueira, destacou a possibilidade da criação de um viveiro de mudas dentro do centro de pesquisa da instituição. “Colocamos à disposição o nosso Cepaer [Centro de Capacitação e Pesquisa da Agraer], em Campo Grande, em que a gente possa desenvolver um viveiro de mudas e atender os agricultores familiares. Assim, os nossos técnicos podem ir a campo e incentivar a recuperação de áreas degradadas, sem a necessidade de a gente ir com a punição. Não é a multa que vai resolver o problema, talvez, ela piore o problema”.

“Esta atividade é fundamental. Você pegar a pesquisa, transformar em conhecimento através das palestras e, posteriormente, o técnico reverter tudo isso em ativos tecnológicos, boas práticas, para dentro das propriedades rurais. É o momento em que a inovação acontece, ou seja, o conhecimento não fica fechado para o meio cientifico, ele é compartilhado para quem vive do cultivo que é o produtor”, ressaltou Thiago Coppola, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia e Negócios, da Embrapa Pantanal.

No primeiro módulo do curso tem como foco “O componente florestal no setor rural e estratégias de restauração ecológica. Já a segunda etapa é voltada propriamente para a coleta, manejo de sementes e produção de mudas de espécies nativas.

Os assuntos são ministrados por três autoridades peritas no assunto de conservação ambiental: o doutor em Biologia Vegetal José Felipe Ribeiro (Embrapa Cerrados), o professor doutor em Agronomia Norton Hayd Rego, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS); e a professora doutora em Biologia Vegetal Letícia Couto Garcia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O Módulo 1 compreende cinco temas: Características ecológicas do bioma, estratégias de reprodução das plantas, impactos antrópicos e suas implicações para a restauração; Legislação Ambiental Federal: Lei 12.651/2012, CAR, PRA e PRADA; Estratégias de restauração ecológica; Sistema WebAmbiente: apoio ao PRA; Monitoramento de trabalhos de recomposição.

O Módulo 2, que será ministrado no segundo dia do curso nesta quinta-feira, foi dividido em tópicos, sendo eles: Planejamento da coleta de frutos; Manejo dos frutos; Beneficiamento de sementes; Armazenamento de sementes; Germinação de sementes de espécies arbóreas: sementes, substratos e viveiros, propagação sexuada; Adubação na produção de mudas; Perspectivas de restauração ecológica para o Cerrado e Pantanal.

O curso é uma realização da Embrapa Pantanal e tem apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) e Imasul.