20 de setembro de 2020
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PESQUISA

Jornalistas mulheres ainda são minoria nas redações de municípios de MS

Sindicato aponta que 67,47% dos postos são ocupados por homens

Levantamento realizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Região da Grande Dourados (Sinjorgran) aponta que 64,47% dos postos de trabalho são ocupados por homens nas redações dos veículos comerciais e das assessorias de imprensa do município de Dourados. O índice contraria o cenário nacional, onde as mulheres representam 64% das vagas, de acordo com o Perfil do Jornalista Brasileiro, elaborado em 2012 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Considerando como redações os locais em que atuam dois jornalistas ou mais, a pesquisa percebeu que dos 76 postos de trabalho, as mulheres estão presentes mais nas assessorias de comunicação (55,17%) do que nas empresas privadas (23,40%). 

Os números foram coletados na última quinta-feira (5), em virtude das mobilizações para o 8 de março – Dia Internacional da Mulher e observou as redações da TV Morena, TV RIT, Progresso Digital, Jornal Diário MS, Dourados News, Rádio Grande FM, Rádio Cidade, Rádio 94 FM, MS Web Rádio, UFGD, Uems, Unigran, Câmara de Vereadores, Prefeitura Municipal, Embrapa e Simted.

DIA DE LUTA DAS MULHERES JORNALISTAS

Para combater o machismo dentro e fora das redações, as integrantes da categoria foram chamadas para ir trabalhar hoje (9) com roupa na cor lilás, para dar visibilidade para o Dia de Luta das Mulheres Jornalistas, contra os assédios moral e sexual e os ataques sexistas, machistas e misóginos, organizado pela FENAJ e pelos sindicatos de todo país.

Nos dias que antecederam o 8 de março, números preocupantes foram divulgados pela FENAJ: 78,5% das jornalistas já enfrentaram algum tipo de atitude machista durante entrevistas; mais de 70% disseram que já deixaram de ser designadas para uma pauta pelo fato de ser mulher; 61,5% das jornalistas já vivenciaram situações em que, apesar de exercerem a mesma função do seu colega de trabalho, receberam menos do que ele; 46,3% das jornalistas receberam cantadas de colegas homens, 36,9% de fontes masculinas e 27,9% de superior hierárquico.

Cientes de que o machismo enfrentado no exercício da profissão está enraizado na sociedade, ontem (8), jornalistas de Dourados e representantes do Sinjorgran participaram vestidas com a camiseta da campanha “Lute como uma jornalista”, do ato organizado pelo movimento feminista, no Parque Antenor Martins (Parque do Lago), somando esforços na luta contra o feminicídio e em busca de respeito e democracia. (Com assessoria).