25 de novembro de 2020
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CORONAVÍRUS

Ministério da Saúde paga até 185% a mais por produto contra Covid-19

Opções nacionais se esgotam, e importados são impactados por dólar e demanda

O Ministério da Saúde de Jair Bolsonaro paga 185% a mais pelo preço dos produtos necessários para o enfrentamento a Covid-19, nas redes federais, estaduais e municipais. A informação é da Folha de São Paulo. 

Conforme 34 contratos emergenciais assinados pela pasta desde o início da pandemia, são pagos valores diferentes pelos mesmos produtos para empresas diferentes. 

Sapatilhas de TNT chegam a custar R$ 0,20 em uma empresa, enquanto outra vendeu o mesmo produto para o ministério por R$ 0,07 centavos. O calçado feito de TNT é usado até o tornozelo para evitar que médicos, enfermeiros e pacientes carreguem microrganismos grudados nas solas para dentro das alas de tratamento.

O frasco de 500 ml de álcool em gel foi comprado pelo governo no preço de R$ 6,68, 70% mais caro, do valor pago pelo mesmo produto no incío da crise, à época, custava R$ 3,91. 

Procurado pela Folha, o Ministério da Saúde atribuiu as variações à flutuação cambial e à questão mercadológica, de oferta e demanda. Afirmou que a compra de insumos, equipamentos e afins é um dos maiores desafios agora.

Aventais, luvas, toucas e máscaras, exemplificou, são os produtos mais difíceis de encontrar. O ministério admitiu que parte das aquisições que planeja não tem se concretizado por falta de propostas financeiras ou de logística (prazo e entrega) viáveis.

Segundo o ministério, ao fazer chamamento público para adquirir material ou serviço, não há a determinação de preço máximo, mas elaboram-se valores de referência.

As variações se repetem em outros itens comprados para abastecer hospitais, como kits para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), luvas, máscaras, toucas e reagentes.

Em alguns casos, a pasta não tem conseguido ganhos de escala. Em um contrato, comprou 500 mil máscaras cirúrgicas a R$ 0,96. Em outro, pactuou a aquisição de 20 milhões a R$ 2,08 cada —116% a mais. Segundo o banco de preços, era possível comprar o produto em 2019 a R$ 0,10.

Para a entrega do lote de máscaras, o ministério firmou contrato de R$ 41,6 milhões com a Aura Pharma Importação e Exportação de Medicamentos. Dono da empresa, Fernando Lacerda André diz que não é mais possível encontrar a mercadoria em fabricantes nacionais e que está negociando o fornecimento na China, o que classifica como “trabalho de Hércules”.

VEJA A REPORTAGEM COMPLETA DA FOLHA AQUI