24 de novembro de 2020
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ARTIGO

O Vírus da Ignorância, acomete a população brasileira de 2 em 2 anos

Revista Super Interessante o detectou, inclusive a classificou como "A Era da Burrice"

Em tempos de crise financeira, moral, religiosa e atualmente crise na saúde pública, esta última agravada pela chegada (sem ser convidado) do vírus COVID-19, conhecido pelo nome de coronavírus. Vemos pairando no ar um vírus tão e talvez mais mortal que qualquer outro vírus já conhecido pela humanidade, o Vírus da Ignorância, que acomete a população brasileira de 2 em 2 anos em época de eleições, e durante as campanhas eleitorais se manifestam entre os eleitores e os candidatos.

Após o período de incubação, demonstra sintomas diversos, dentre eles estão:

Descrença total em livros, faculdades e escolas e lealdade total à informações sem qualquer confirmação de legitimidade, compartilhadas em grupos de Whatsapp e Facebook;

Aversão às Ciências e total cumplicidade com doutrinas religiosas cristãs católicas e/ou protestantes e obediência às palavras de padres e pastores;

Negacionismo total à qualquer literatura científica comprovada produzida pela humanidade;

Sintomas de raiva e violência quando é desmentido ou alguém lhe explica a realidade como ela é, entre outros...

Brincadeiras e ironias à parte, estamos sim vivendo uma crise intelectual tamanha, que há alguns anos a Revista Super Interessante detectou e inclusive a classificou como “A Era da Burrice”, visto a quantidade de informações compartilhadas, discutidas sem reflexão e análise crítica alguma e tomadas como verdade absoluta por uma parcela considerável dos brasileiros.

Quando dizemos a palavra “informação” temos que ter cuidado para não confundirmos com o termo “conhecimento”. Informação é qualquer ideia ou fragmento de ideia captado por alguém, seja em redes sociais ou no boca a boca, que não passou por nenhum filtro, nenhuma análise reflexiva que comprove sua veracidade ou ligação com a realidade, ela foi apenas “espalhada”, ou em tempos de velocidade na transmissão das informações, “viralizada”.

Conhecimento é a reunião de uma ou mais informações em um contexto dialético com passagem de filtros, padronização, conexão com a realidade, análise crítica e reflexiva, estudo, discussão, conclusão e finalmente o filtro dos filtros, a prova, aquela que os matemáticos chamam de Prova Real, a incontestável.

A Ignorância à qual acomete a sociedade brasileira nos últimos anos se manifesta de duas formas. A primeira forma se manifesta no culto ao orgulho da falta de conhecimento por parte de uma parcela da população que não vê importância no estudo formal e nem na sabedoria notória natural. A segunda forma, e mais grave, se manifesta em pessoas ditas com estudo formal (curso superior e/ou pós graduação), que mesmo com uma bagagem de estudo e conhecimento adquirida na escola e em universidade, passam a seguir a Doutrina do Negacionismo, onde preferem esquecer tudo o que foi estudado em livros de Biologia, História, Geografia e Geopolítica e passam a fidelizar-se à “informações” oriundas de redes sociais e do boca a boca.

A primeira é a cultura do Sofismo, onde uma pessoa, propositalmente ou não, espalha uma narrativa falsa, totalmente parcial e sem comprovação alguma, conveniente e conivente ao seu pensamento, e que tem a intenção de desconstruir todo um histórico de conhecimento comprovado e acumulado durante a vida. Essa narrativa é compartilhada e “vendida” como um produto original, porém é falsificado...um grupo de pessoas acredita e compra achando que é original de fato, outro grupo compra mesmo sabendo que é falso, mas atende às necessidades dele!

E a reunião desses grupos forma um grande grupo de seguidores, tomado por uma alienação coletiva e comportamento de massa não pensante. Alienação, do ponto de vista de não mais pensarem por si próprios, delegam suas decisões, seus pensamentos e suas vontades à terceiros. Não mais praticam o pensamento reflexivo e nem a análise crítica. É surreal!!

No momento, paralelo ao surto da COVID-19, vivemos um surto agudo de ignorância coletiva aceita. Quando um repórter de intelecto duvidoso, solta uma fake news sem procedência nem comprovação alguma “afirmando” que o vírus foi “fabricado” pela China para derrubar o mercado financeiro, quebrar a Bolsa de Valores, e assim os “perigosos comunistas” comprarem a preço de banana as ações das bolsas, e depois eles soltam o antídoto, aí eles venderiam as ações a preços astronômicos quando normalizasse o mercado...ou seja, roteiro de filme de ficção. Aí vem uma parte da população e simplesmente compra a ideia sem qualquer reflexão ou contestação e começa a propagar como verdade!! Mas quando um deputado federal, representante do povo, dá voz a essa narrativa louca e cria um incidente diplomático entre Brasil e China, essa mesma parcela da população que comprou a ideia, se sente representada e legitimada! Pronto, o caos está instalado

E quando essas pessoas entram no poder ou colocam lá outras pessoas do mesmo caráter, vivenciamos o que ocorre hoje: Acordos bilaterais mal feitos, perda de parceiros comerciais, descontrole no fluxo de caixa do país promovendo assim a queima das reservas cambiais, desvalorização da moeda interna, encolhimento do PIB, diminuição da renda per capita, aumento do desemprego...um governo para poucos, não para todos, a contar do próprio slogan “Deus acima de tudo”, num país laico e multireligioso. Apesar de eu não ser religioso, rogo para qualquer Deus, que “Deus nos acuda”, seja qual for o Deus.

O AUTOR Graduado, licenciado e bacharel em matemática. Estudioso de política, história, filosofia e Geopolítica.