20 de junho de 2021
Campo Grande 25º 13º

JACAREZINHO (RJ) | NACIONAL

Operação desastrosa no Jacarezinho: sobe para 29 mortos, a maioria não era alvo

Dos 21 investigados e com mandado de prisão, três foram detidos e outros três foram mortos. Das vítimas, 11 corpos ainda não foram identificados. Ao menos 13 executados não eram investigados na operação

A- A+

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou hoje (8. maio) que subiu para 29 o número de mortos na operação policial realizada na última quinta-feira (6. maio) na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro.  

A polícia divulgou apenas a identidade do inspetor de polícia André Leonardo de Mello Frias, de 48 anos, e afirmou que os outros 28 mortos eram criminosos. Apesar disso, não há nenhuma relação que leve a crer que isso seja real, já que dos alvos da PC 15 fugiram, quase o dobro foi executado e não constava na lista de "inteligência" que relacionava um grupo ao tráfico e aliciamento de menores. 

Dos 21 investigados e com mandado de prisão, três foram detidos e outros três foram mortos. Das vítimas, 11 corpos ainda não foram identificados. Ao menos 13 executados não eram investigados na operação.  

Considerada a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro, a operação policial fracassou em vários sentidos. Inclusive, perderam o agente André Frias, um homem que poderia ter sido poupado se de fato houvesse um trabalho de inteligência por trás da operação desastrosa e sem resultados positivos.  

Defensores dos direitos humanos questionam a legalidade da operação, que também despertou a preocupação da Ordem dos Advogados do Brasil, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e do o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos. As três instituições pediram investigações rigorosas e imparciais e ressaltaram o compromisso do Estado no respeito aos direitos humanos.

A OAB divulgou nesta sexta-feira uma lista com 16 nomes das pessoas mortas. (Veja aqui).  

Responsável por fiscalizar a legalidade da ação, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro emitiu uma nota em que informa que está investigando as circunstâncias das mortes ocorridas durante a operação. “Todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis em decorrência dos fatos ocorridos estão sendo tomadas pelo MPRJ", diz o texto, que informa que a promotores estiveram presentes na comunidade, acompanhando os desdobramentos da operação. "Cabe destacar ainda que o MPRJ acompanha a perícia nos corpos das pessoas mortas durante a intervenção policial”, informou a nota.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, defendeu a Polícia Civil e afirmou na noite de ontem que a operação foi "o fiel cumprimento de dezenas de mandados expedidos pela Justiça".  

Já uma nota conjunta assinada por entidades como a Anistia Internacional no Brasil, a Justiça Global, o Instituto Marielle Franco e o Movimento Negro Unificado classifica a operação como um massacre. Defensores de direitos humanos, moradores de favelas e familiares de vítimas de violência policial realizaram protestos ontem (7. maio) contra as mortes.