27 de setembro de 2020
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ENTREVISTA

Pesquisador diz que coronavírus está em declínio

"O quadro geral é de controlo e estabilização", disse o doutor

O coronavirus começa ‘a morrer’, na China e em alguns países a contagiosidade está em declínio. É o que afirma o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Claudio Struchiner. 

Em entrevista à jornalista Mariana Trigo, no programa online Bate-Papo da FGV em 20 de fevereiro, Struchiner afirmou que Coréia do Sul e Japão, refletem padrão moderado do vírus e comentou a dinâmica da transmissão. "Essa epidemia é compatível com as anteriores. Existe um número que mede a contagiosidade, representada pela quantidade de novos casos gerados a partir de um caso. Se for maior do que 1, caracteriza uma fase de expansão da doença. Se for menor que um, indica uma fase de retração. Os cálculos atuais para o coronavírus estimam um R0 [o índice] de aproximadamente 2,5, o que o coloca em uma posição de moderação. Outras doenças, como as comuns da infância, a exemplo da rubéola, é da ordem de 10; e doenças como a malária em regiões hiperendêmicas, observadas em quadros recentes, chegaram a mil", afirmou o pesquisador, que é médico com doutorado em Dinâmica Populacional de Doenças Infecciosas, pela Universidade de Harvard.

O quadro geral, de acordo com o prof. Struchiner e os dados disponíveis até a data da entrevista, é de controle da doença. "As informações que se tem sobre contaminação mostram que a doença se dá por meio do contato com gotículas, contato próximo com o indivíduo infectado ou com superfícies contaminadas. A contaminação ocorre principalmente em sua fase sintomática, mas pode acontecer também na fase de incubação, o que torna o controle da sua disseminação mais difícil", explica o pesquisador. A prevenção é a melhor forma de evitar a doença, uma vez que o desenvolvimento de uma vacina demoraria muito tempo até ficar disponível. "Existem vacinas para influenza e gripe comum. As pessoas devem se vacinar", recomenda o prof. Struchiner, ressaltando que há uma superposição de sintomas entre o coronavírus e a influenza, mas a principal diferenciação do coronavírus é a gravidade do quadro respiratório provocado por esse novo vírus. 

A transmissão do vírus pode ser efetivada por meio de contato com pessoas infectadas, ou mesmo com superfícies infectadas.