06 de maio de 2021
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FURTO DE CADÁVER

Policial militar teria desenterrado mulher para ficar próximo e cumprir "pacto"

Informação foi divulgada durante coletiva de imprensa

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A Polícia Civil conseguiu concluir as investigações e chegar a um primeiro esclarecimento sobre a motivação do furto do corpo de Rosilei Potronieli, de 37 anos, em cemitério de Dois Irmãos do Buriti (MS).  A mulher foi morta a facadas no dia 10 de fevereiro, próximo a um bar no município de Terenos. 

O policial militar aposentado, José Gomes Rodrigues, de 57 anos, fez tudo que fez, por um "pacto", feito entre Rosilei e ele, durante anos de relacionamentos que tiveram. José teria arquitetado o plano para ficar próximo a Rosilei, após saber de sua morte. 

Conforme o site Correio do Estado, em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (15), a delegada Nelly Gomes dos Santos Macedo, comentou que a informação sobre este pacto foi revelada por um dos envolvidos no crime de furto do cadáver, esse seria primo de José. 

À polícia, o primo contou que a relação de Rosilei e José sempre foi conturbada, fato confirmado pela delegada, através de averiguação de boletins de ocorrências registrados pela mulher contra o ex. "São casos de ameaças, violência doméstica e até estupro", disse a delegada.

O primo, contou ainda que Rosilei e o policial namoraram durante muitos anos, vivendo um relacionamento marcado por términos e reconciliações. Nesse período, eles prometeram serem sepultados próximos um do outro. José estava preso por violência doméstica quando Rosilei foi assassinada, por isso, quando saiu da cadeia decidiu ir atrás do corpo da mulher. 

Na noite em que foi liberado da cadeia, após saber da morte da mulher, segundo o primo, o policial teria o ligado, ele estava bebendo na cidade de Terenos, chamou o primo até sua casa, local onde revelou o pacto e "intimou" o primo a ajudá-lo a cumprir a promessa. Pressionado, o depoente disse ter aceitado ajudar o policial, após os dois ingerirem mais bebida alcoólica, foram até o cemitério em Dois Irmãos e com pás removeram o corpo de Rosilei.  

Na sequência, os suspeitos teriam colocado o corpo da mulher em um carrinho de mãos e depois no porta malas do veículo. O corpo foi levado para uma chácara em Campo Grande, local onde viviam as filhas de José, estas ficaram apavoradas ao verem o corpo e teriam se trancado em casa. Em uma área vegetada da chácara, onde outra cova já havia sido aberta e preparada para receber a mulher. O local estava com um tapete ao fundo e um travesseiro.

O corpo de Rosilei foi lavado, vestido e novamente enterrado. José ainda cobriu o local com folhas para despistar. Velas foram acesas e colocadas próximas ao local em que o policial aposentado começou a ir para "conversar" com a vítima.

Segundo Edson, a intenção do primo era se manter diariamente próximo da vítima. Isto porque ao lado da cova ele teria dito várias vezes: “A gente tinha feito esse pacto. Eu cumpri. Agora você está perto de mim”.

A delegada conversou com o policial militar aposentado por telefone. Ele disse que vai se apresentar à polícia, mas negou o crime. Edson Maciel Gomes está na delegacia à disposição da Justiça.

Para Nelly, este caso reflete o sentimento de posse que José tinha em relação a Rosilei, característica de homens envolvidos em ocorrências de violência doméstica.