26 de novembro de 2020
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‘Pressões políticas’

Presidente da Ajufe se diz preocupado com ‘pressões políticas’ apontadas por Moro na PF

Fernando Marcelo Mendes afirma ter ficado surpreso com demissão do agora ex-ministro da Justiça e espera que sucessor foque em ‘grandes temas nacionais’

O presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Fernando Marcelo Mendes, disse estar “surpreso” com o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, confirmado pelo próprio ex-ministro na manhã desta sexta-feira (24). Mendes demonstrou “preocupação” com acusações feitas por Moro sobre uma possível ingerência na Polícia Federal, a partir da demissão do diretor-geral, Maurício Valeixo, publicada no Diário Oficial da União com a assinatura do agora ex-ministro –que negou o ato.

“Causou-me surpresa a saída do ministro Sergio Moro do Ministério da Justiça e da Segurança Pública nesse momento de crise. Apesar do ministério não ter relação direta com o trabalho do Poder Judiciário Federal, que é independente, esperamos que o próximo chefe da pasta mantenha uma política de Estado, focando nos grandes temas nacionais, como o combate à criminalidade organizada, à corrupção, ao enfrentamento do tráfico de drogas e armas, além de respeitar a autonomia da Polícia Federal”, afirmou, em comunicado da assessoria, o presidente da Ajufe.

Mendes prosseguiu. “Preocupa, principalmente, que o ministro tenha saído alegando a tentativa de pressões políticas na Polícia Federal, o que é extremamente ruim para o Brasil”.

Moro anunciou sua demissão em fala à imprensa no fim da manhã, horas depois de edição do DOU trazer a exoneração de Valeixo. A troca, ventilada desde quinta-feira (23), foi pleiteada no ano passado pelo presidente Jair Bolsonaro, contra quem o ex-ministro fez acusações em seu pronunciamento.

Em declaração à imprensa, Moro negou que tenha assinado o pedido de exoneração “a pedido” de Valeixo, como foi publicado nesta manhã. Ele também disse que foi acordado com Bolsonaro ter “carta branca” para fazer as indicações na sua pasta, rechaçado escolhas políticas.

Além disso, questionou não a troca, mas os motivos para que ela fosse realizada, e contestou a investida do presidente em nomear o novo chefe da PF, prerrogativa que seria do então ministro –que abriu mão de uma carreira de cerca de 20 anos na Justiça Federal, como juiz da Vara Federal de Curitiba (onde tramitaram ações da Lava Jato que tinham entre os réus o ex-presidente Lula, entre outros políticos)–, e apontou falta de autonomia da PF no Governo Bolsonaro.