02 de dezembro de 2020
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MEDO

Tripulantes em quarentena; coronavírus já faz quase mil mortes

Capitão alerta que quantidade de passageiros contaminados aumentou de 70 para 135; já são 40 mil infectados no mundo

Cruzeiro Diamond Princess, na costa do Japão, foi interceptado com sessenta e cinco pessoas infectadas com o coronavírus, que se alastra pelo mundo. Em um dia, casos de infectados dobraram de 70 para 135 pessoas diagnosticadas com o vírus no navio. Há um brasileiro entre os tripulantes que faz segurança na porta das cabines, Thiago Campos Soares falou ao O Globo, ele cuida para que os identificados com o vírus não saiam de suas cabines, onde estão confinados até serem recolhidos pelas autoridades japonesas. A infecção já provocou 908 mortes e mais de 40 mil infecções no mundo.

Segundo o que Thiago relatou por meio de mensagem, o clima é de agonia entre os embarcados no navio, eles estão em quarentena iniciada em 3 de janeiro, quando a embarcação com 3,7 tripulantes foi interceptada.

Alguns descrentes da existência real do coronavírus, tiveram que ser contidos por seguranças para não deixarem suas cabines, relatou Thiago. "Existiam passageiros que faziam reclamações, mas hoje em dia todos eles sabem o quanto nós estamos fazendo por eles e são gratos. Eles querem ir embora, e nós também queremos voltar logo a nossas rotinas normais", conta Soares, que trabalhava no setor de lojas do navio antes da epidemia. "O maior número de infectados foi de passageiros até o momento. Acredito que todos tenham um certo receio e medo de andar pelas áreas deles, justamente por isso."

Uma das mensagens de apoio deixadas por passageiros na porta das cabines dizia "Obrigado do fundo do meu coração". Outra dizia "Deus o abençoe. Mantenha o rosto erguido."

O temor é grande até mesmo entre a tripulação, cuja equipe de vigias foi reforçada por áreas fechadas desde o início dos casos de coronavírus, como nas lojas e no cassino do navio.

"Hoje, todos têm bastante medo. Há muitos rumores, opiniões e questionamento entre os tripulantes, mas nada oficial", explicou. "A companhia tem no dado bastante suporte. Pelo menos no meu departamento, todo dia temos reuniões às 15h para saber como estamos e nos distribuem todo dia equipamentos de proteção".

Soares disse estar determinado a cumprir sua função para que o período de quarentena possa ser encerrado quando for o momento.

"Precisamos manter a calma e nos proteger bastante. Temos trabalhado como um time de verdade, sempre ajudando uns aos outros", revelou ao O Globo. "É muito cansativo, dá medo, mas não adianta perder a cabeça. Temos que entender o tamanho do problema e que só sairemos daqui juntos".

Os primeiros a serem examinados no navio foram aqueles que apresentavam sintomas mais intensos. Mas, à medida que mais testes foram sendo feitos, mais pessoas foram diagnosticadas e retiradas da embarcação, seguindo para hospitais.

Em uma transmissão por alto falante a toda a embarcação, inclusive nas cabines, o capitão afirmou:

— Não é uma novidade que queremos receber. No entanto, também fomos avisados, já que estamos no período inicial da quarentena de 14 dias, que isso não foi inesperado.

Entre os novos casos estão de 45 japoneses e 11 americanos.

As observações do capitão foram gravadas e postadas no Twitter pelo passageiro Yardley Wong, que usou a hashtag #anxiety (ansiedade).

Durante o dia, os passageiros têm permissão para andar no convés em turnos para respirar ar fresco e são incentivados a medir regularmente a temperatura.

O passageiro britânico David Able postou no Facebook um vídeo dizendo que "muitos passageiros agora estão com um pouco de febre nas cabines": "A depressão está começando a se instalar".

Já um morador de Hong Kong de 43 anos, que está em quarentena com sua mulher, filho e vários membros da família, usou a web para admitir que ficará nervoso se mais de 200 casos sejam registrados.

"Esperando o melhor para os que foram levados para o hospital. Pelo menos dois nos informam no Facebook que estão livres de sintomas", acrescentou o homem, que se recusou a ser identificado.

O Japão registrou, até agora, 21 casos domésticos de coronavírus, e prepara seu quinto voo fretado para resgatar seus cidadãos que estão em Wuhan, epicentro da epidemia.

Fonte: O Globo, com texto de Rafael Garcia.