22 de setembro de 2021
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ARTE | CULTURA

Vídeo: artistas denunciam descaso do Governo e mostram promessas não cumpridas

Hoje (27.mar) é Dia Nacional do Circo e Dia Mundial do Teatro

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Neste 27 de março, é celebrado o Dia Mundial do Teatro e Nacional do Circo, ambas as profissões que contam com trabalhos de artistas, técnicos, produtores, professores e estudantes que levam aos palcos e picadeiros a magia das artes cênicas. Na data que era para se celebrar, tanto o circo como o teatro de Mato Grosso do Sul não tem muito o que comemorar, visto que a grande maioria das Leis e programas de incentivo que deveriam, segundo a Constituição Federal, serem mantidas pelos governos municipais, estaduais e Federal amargam tristes retrocessos. 

O ator, diretor e iluminador cênico Espedito Di Montebranco, de 52 anos, em vídeo mostra as facetas da política, e cobra principalmente o governo estadual, que desde 2017, vem cada vez menos investindo nos programas e vem desmantelando a estrutura cultural. Veja o vídeo abaixo o manifesto do artista:

Os Colegiados de Teatro da Capital e do estado também emitiram Carta de denúncia da situação dos artistas. Veja a íntegra.  

Campo Grande/MS, 27 de março de 2021

CARTA ABERTA À SOCIEDADE

Neste dia internacional do Teatro e nacional do Circo, é com imensa tristeza que, nós dos Colegiados de Teatro e Circo do Mato Grosso do Sul vimos relatar a situação na qual se encontram os/as artistas e técnicos/as das mais variadas linguagens. Sabemos que diante da situação pandêmica da Covid-19 nenhuma classe trabalhadora está isenta de ser prejudicada, não seria diferente para nossa área. Entretanto, as outras categorias produtivas obtiveram de alguma forma uma segurança de sobrevivência, seja por auxílios emergências ou outros meios. O que presenciamos é toda cadeia produtiva de eventos e ações artísticas culturais de mãos atadas e os/as trabalhadores/as tendo que recorrer a outros serviços que não as profissões as quais escolheram para exercer, com o intuito de colocar “comida à mesa”.

Em um país em que a ARTE e a CULTURA sempre foram relegadas ao último plano, adaptar-se sempre foi o verbo que norteou o fazer artístico. No entanto, no último ano se tornou ainda mais estarrecedor o abandono que estamos sofrendo por parte dos órgãos que, em teoria, deveriam garantir que nossos direitos fossem garantidos junto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande, já que não há nenhuma sinalização para a execução dos últimos editais, ainda que para realizar as produções virtualmente, ou do lançamento de outros, muito menos da manutenção de um auxílio de modo a evitar que os/as trabalhadores/as da cultura se exponham em atividades informais para que não lhes falte o mínimo para a sobrevivência de suas famílias .

Embora muitos não entendam, ser ARTISTA é uma profissão que merece respeito como todas as outras. Buscamos nos profissionalizar, investimos em conhecimento técnico, prático e em estrutura e, temos que batalhar muito todos os dias para termos um retorno não só financeiro, mas também de valorização do nosso fazer, já que acreditamos que a arte transforma as pessoas e, que não é possível haver evolução em uma sociedade que não reconhece seu papel.

Entendemos e solidarizamos ao momento de calamidade pública à saúde de toda a sociedade, lamentamos tantas mortes e denunciamos o Governo Omissor não só no sentido preventivo a pandemia, mas também na garantia e no resguardo aos direitos trabalhistas e emergências ao povo trabalhador!

Ressaltamos que as pautas culturais estão desde 2014 em “estado de calamidade pública” e que continuam ainda hoje, diante da eficácia das gestões municipal, estadual e nacional no cumprimento de toda Política Pública Cultural e seus marcos regulatórias, diga-se de passagem, fruto de nossa organização e luta popular.

Hoje, dia de celebração e festa, estamos novamente, nos manifestando contra o descaso e desgoverno que vivenciamos nos últimos anos. Ações locais, que garantiam nosso trabalho e sobrevivência foram desprezavelmente limados da gestão pública!

Nesse triste cenário que assola nosso país, é ainda mais inadmissível que tenhamos que colocar nossas vidas em risco trabalhando em outras profissões por necessidade e sendo privados de exercer aquilo que nos move a viver e que é constitucionalmente direito: a arte.

Viemos dizer que mesmo em meio a tantos desafios resistir continuará sendo sinônimo de ser artista.

DENUNCIAMOS O DESCASO DO GOVERNO ESTADUAL E MUNICIPAL  NA GARANTIA E RESGUARDO DO/A TRABALHADOR/A DA ARTE E CULTURAL E ANUNCIAMOS NOSSA EXISTÊNCIA/RESISTÊNCIA!

“Para um artista normalmente é difícil viver de arte. Mas é praticamente impossível viver sem ela quando se é artista. A arte comanda a alma do artista. A arte é o encontro do artista com a transcendência do Ser. A arte é o ar que o artista respira. A arte é o sangue que faz o artista viver.” Luiz Guilherme Todeschi.