29 de outubro de 2020
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Barranco cede e mata duas crianças afogadas

Na tarde da última terça-feira, dia 8 de abril, duas crianças indígenas moradoras da Aldeia Amambai, morreram afogadas vítimas da queda de um “barranco” que as soterraram e acabou as asfixiando em uma lagoa localizada as margens da rodovia que liga Amambai a Ponta Porã.

A reportagem do Grupo A Gazeta esteve no local do acidente a fim de esclarecer alguns fatos que surgiram após um dos familiares das crianças ter relatado durante um programa em uma emissora de rádio, que “os corpos das crianças foram abertos e tiveram seus órgãos retirados e seus interiores recheados com papéis e estopas de pano”.

Essa situação veio a tona devido a autópsia realizada nos corpos no IML (Instituto Médico Legal) de Ponta Porã, feito que irritou os familiares das crianças guarani-kaiowá.

Em conversa com Giovane Benites de 19 anos, irmão de uma das vítimas, a menina de 11 e primo do menino de 5 anos, mortos no soterramento, ele relatou que as vítimas e outra criança que estava no local e conseguiu escapar com vida, teriam saído de casa para tomar banho na lagoa que fica cerca de 200 metros da casa da família, logo em seguida, teria iniciado uma forte chuva no local obrigando as crianças a se esconderem em baixo do barranco que desmoronou, com a intensidade da chuva, a parte de cima do morro cedeu vindo a cair em cima das crianças e as esmagando.

A criança que sobreviveu correu buscar ajuda, mas Giovane não conseguiu remover o pedaço de terra sobre os menores que vieram a óbito.

Uma empresa funerária de Amambai esteve no local para buscar os corpos e se dirigiu até o Hospital Regional, onde recebeu a ordem para levar as vítimas até o IML (Instituto Médico Legal) de Ponta Porã para que fossem realizado e exame necroscópico, feito que ocorre regularmente em caso de morte à esclarecer, ou seja, por causas não naturais.

Segundo a empresa funerária os corpos foram conduzidos de forma normal até o IML para a realização dos procedimentos cabíveis e por volta das 13h40 da madrugada dessa quarta-feira, dia 9, as crianças foram trazidas novamente para a aldeia.

Segundo relatos de representantes da empresa ao chegar no local, um dos funcionários da funerária teria sido repreendido pelos familiares das vitimas e questionado a origem de uma fita adesiva que estaria colada em todo o tórax da menina, pressupondo que os órgãos teriam sido retirados.

Com isso, o funcionário acuado com a situação, fugiu do local deixando para trás o carro da empresa e todos os equipamentos.

A reportagem do A Gazeta entrou em contato com a funerária para entender a situação. O proprietário da empresa funerária que transportou os corpos relatou que “os familiares das crianças, assim como muitos outros indígenas, não aceitam que os corpos tivessem sido abertos para que o procedimento de autópsia fosse realizado, mas é assim que acontece em todos os casos”, relatou o dono da funerária.

Em contato via telefone, o auxiliar do médico que realizou, junto com o médico legista, o procedimento no IML relatou a nossa reportagem que “esses procedimentos são completamente normais. Tudo que foi feito com essas crianças é feito em qualquer outra situação. Não existe essa situação dos órgãos terem sido extraídos e recebido outro destino. Tudo é examinado e recolocado no lugar e costurado, procedimento padrão”, comentou o auxiliar. O Grupo A Gazeta de Comunicações vai permanecer acompanhando o desfecho do caso.

A Gazeta News