27 de setembro de 2020
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Frio e cheia de rio preocupam murtinhenses

Na terça-feira, 27, a altura do Rio Paraguai em Porto Murtinho era de 6,44m,  exatamente às 6h20min. Havia subido 0,06cm em relação ao dia anterior. O inverno também se intensifica na região, com temperaturas descendo dos 10 graus. E essa combinação, mesmo sem causar pânico, já traz grande apreensão aos cerca de 15 mil murtinhenses e mais de 15 mil paraguaios residentes nas localidades próximas divididas pelo Rio Paraguai. ]

Se as águas continuarem subindo na proporção de 7cm a 10 cm por dia, as inundações serão inevitáveis e bem mais graves. A Prefeitura de Porto Murtinho, por ser a melhor estruturada naquele trecho de fronteira, prepara-se para uma antiga rotina das épocas de cheias: amparar a própria população e socorrer centenas de famílias que moram no Paraguai e são obrigadas a deixar suas casas.

ILHADOS - É o caso dos 750 habitantes da Isla Margarita, que já está com 80% de seu território inundados. Localizada bem em frente ao centro da cidade de Porto Murtinho., a ilha começa a sofrer as primeiras consequências da escalada do rio. As águas já não permitem o funcionamento normal do pequeno comércio, basicamente de produtos importados, e afetam atividades básicas, como as aulas e o transporte.

Não há outra saída para os ilhéus senão improvisar ou pedir a sobrevivência e contar com auxílios da prefeitura brasileira e do governo do Paraguai. As aulas para os 70 alunos da Escola Luis Maria Argaña foram transferidas para  o primeiro piso da igreja católica, que até o início da semana era um dos poucos locais disponíveis. Mas já se cogitava remanejá-los para o andar de cima, no segundo piso. O transporte dentro da ilha agora é feito somente por meio de canoas.

Em Fuerte Olimpo, a aproximadamente 200 km fluviais de Porto Murtinho, foi transformada pelo governo paraguaio em base de operações de socorro e salvamento. É para lá que são enviados, para distribuição às áreas críticas, os víveres, remédios e roupas de frio providenciados pelo governo paraguaio com sede em Assunción. Barcos e helicópteros são utilizados nesta operação.  Quase 2,1 mil pessoas estão ilhadas em comunidades como Toro Pampa, Maria Auxiliadora e San Carlos.

MUTIRÃO – O prefeito murtinhense Heitor Miranda dos Santos (PT) já vinha adotando medidas preventivas, atento às tendências das águas e do clima. Uma das suas primeiras providências foi sistematizar o serviço de limpeza dos canais de escoamento urbanos, que conduzem o excesso de água da cidade até uma casa de máquinas que faz o bombeamento para o rio. Heitor também conta com o tradicional mutirão que envolve corporações militares e civis do Estado e da União, como a 2ª Companhia de Fronteira, do Exército; a Agência Fluvial, da Marinha; o Corpo de Bombeiros Militar e as polícias estaduais, além da defesa Civil Municipal.

 Outra ação do prefeito tem sido buscar investimentos em infraestrutura e equipamentos que podem prevenir, controlar e socorrer em casos de calamidades. Mesmo assim, a força das inundações, como já ocorreu várias vezes, produz muitos estragos materiais e desaloja milhares de pessoas.  

Edson Moraes, especial para o MS Notícias