29 de novembro de 2020
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Incra deixa 63 famílias acampadas de Sidrolândia fora do Assentamento Nazaré

A superintendência regional do INCRA deixou de fora 63 famílias de Sidrolândia que estavam acampadas há cinco anos às margens da BR-163 na expectativa da obtenção de lotes da Fazenda Nazaré, assentamento que teve sua criação oficializada por decreto publicado no Diário Oficial da União na última semana de dezembro.

Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Rosa Marques, o superintendente regional, Celso Cestari, teria ignorado o compromisso firmado com a entidade (vinculada à Fetagri) de garantir pelo menos 50 dos 171 lotes para moradores do município onde há pelo menos 3 mil famílias na expectativa de serem atendidas pela reforma agrária.

“O Incra não levou em conta também o pedido do prefeito Ari Basso, que encaminhou ofício solicitando o atendimento de famílias da cidade responsável pelo atendimento de todas as demandas do novo assentamento que fica a mais de 100 quilômetros da área Urbana”, comenta a presidente do Sindicato.

Segundo ela, MST e CUT acabaram prevalecendo na escolha dos beneficiados, embora tenham sido atendidas 13 famílias supostamente por indicação da Fetagri. “Não fomos consultados e vamos exigir agora que seja encontrada uma solução para quem ficou de fora”, assegura.

Quem ficou no acampamento e assistiu seus vizinhos serem autorizados a entrar na propriedade no último dia 20 de dezembro, fica com o sentimento de frustração após tanto sacrifício embaixo de um barraco de lona. “A gente tinha esperança de começar 2014 já dentro do lote. Vamos aguardar que haja uma nova triagem e de repente alguém seja excluído ou mesmo haja desistente”, comenta dona Esmeralda Gamarra, que é filha de acampada e praticamente cresceu acompanhando a mãe na luta por um lote da reforma agrária.

A expectativa dos movimentos sociais de Sidrolândia é que em 2014 haja a desapropriação ou compra da Fazenda Aracoara, propriedade de 7 mil hectares na divisa com Campo Grande, pertencente ao Grupo Cutrale. O superintendente do INCRA admite que a prioridade é viabilizar os assentamentos já existentes no município antes de abrir novos.

Muitas mulheres

Entre os beneficiados é forte presença de pessoas com mais de 60 anos e mulheres sozinhas, a maioria solteiras ou mesmo separados dos antigos companheiros. É o caso de dona Celine Pereira, que estava acampada em Nova Alvorada do Sul, se transferiu para o acampamento em território sidrolandense, mas que fica a pouco mais de 40 quilômetros do seu município de origem.

O fato de não ter uma renda fixa (trabalhava de diarista na cidade), nem dispor de poupança para tornar o lote produtivo não a assusta. Ela acredita que o INCRA vai lhe assegurar a construção da Casa, ter acesso a luz elétrica e crédito necessário para viabilizar alguma atividade produtiva: produção leiteira ou de hortas.

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