14 de maio de 2026
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ARQUEOLOGIA

Fóssil de aranha de 310 milhões de anos é encontrado na Alemanha

A primeira 'aranha verdadeira' do Paleozóico

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Tim Wolterbeek, pesquisador de geociências da Universidade de Utrecht (Países Baixos), encontrou há 4 anos um fóssil de aracnídeo, na época não identificado, nos estratos do Carbonífero Superior (moscoviano) em Piesberg, perto de Osnabrück, na Baixa Saxônia, Alemanha.

Depois de recuperada, a desconhecida espécime foi repassada ao especialista em fósseis de aracnídeos, Dr. Jason Dunlop, do Museum für Naturkunde, em Berlim, que em um estudo recente revelou sua surpreendente identidade.

Dunlop apontou que o fóssil tem 310 milhões de anos, sendo assim o mais antigo registro desse tipo de animal no país europeu. Além disso, após anos de pesquisa, Dunlop chegou à conclusão que a aranha pertenceu a uma espécie que nunca havia sido estudada.

A nova espécie e foi 'batizada' de Arthrolycosa wolterbeeki em homenagem ao seu descobridor, Dr. Tim Wolterbeek.

Fósseis de Arthrolycosa wolterbeeki (topo) e desenho interpretativo (abaixo). Crédito da imagem: Jason Dunlop, Museum für Naturkunde Berlin.Fósseis de Arthrolycosa wolterbeeki (topo) e desenho interpretativo (abaixo). Crédito da imagem: Jason Dunlop, Museum für Naturkunde Berlin.

Num artigo divulgado em 16 de julho na publicação PalZ, Dunlop apontou que o fóssil da Era Paleozoica pertence à ordem Araneae, o que o separa de grupos anteriores de aracnídeos parecidos com as aranhas. O pesquisador explicou que o notável estado de conservação do objeto permitiu que ele verificasse essa classificação.

Arthrolycosa wolterbeeki sp. nov., a aranha fóssil mais antiga (Arachnida: Araneae) da Alemanha, do final do Carbonífero de Piesberg perto de Osnabruck, Baixa Saxônia. uma Parte. b Contraparte. A barra de escala é igual a 5 mm. 

"Característico do gênero, o novo fóssil revela um opistossoma dorsal tuberculado posteriormente e pernas relativamente alongadas e cerdas, sendo que a primeira perna é mais longa que a segunda e a terceira. As fieiras [órgãos produtor de seda] também são preservadas, confirmando seu status como uma aranha genuína", descreveu em seu artigo.

A aranha fóssil sobreviveu ao tempo, se tornando agora uma das 12 espécies carboníferas que podem ser atribuídas com segurança a Araneae.

Se seu corpo semelhante ao mesotele é indicativo de estilo de vida, A. wolterbeeki pode ter passado o dia escondido em uma toca, reduzindo drasticamente suas chances de acabar no registro fóssil. Crédito da imagem: Jason Dunlop, PalZ, 2023 ( CC BY 4.0 )Se seu corpo semelhante ao mesotele é indicativo de estilo de vida, A. wolterbeeki pode ter passado o dia escondido em uma toca, reduzindo drasticamente suas chances de acabar no registro fóssil. Crédito da imagem: Jason Dunlop, PalZ, 2023 ( CC BY 4.0 ) 

Dunlop trouxe no artigo uma possível explicação para essa raridade: aracnídeos como a A. wolterbeeki podem ter sido "caseiros" como as aranhas modernas da subordem mesotheles.

"Se as aranhas carboníferas tivessem um estilo de vida semelhante, de 'sentar e esperar' em uma toca ou algum tipo semelhante de refúgio, isso poderia explicar por que elas raramente entravam em contato com corpos de água necessários para sua preservação como fósseis", disse o especialista.

Tim Wolterbeek comentou a descoberta de Dunlop no fórum online The Fossil Forum. Ele disse que o fóssil, que agora é um holótipo, foi doado ao Museum für Naturkunde, museu de história natural localizado em Berlim. "Essa foi uma grande experiência, pois aprendi muito sobre aracnídeos, aranhas e fiandeiras ao longo do caminho. Espero que vocês gostem de ler o artigo de Dunlop tanto quanto eu gostei", disse.