18 de setembro de 2020
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Carnaval está em contagem regressiva, porém, tradição se perdeu

A contagem regressiva para o Carnaval de Campo Grande começou, ao menos, para o Presidente da Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande), Eduardo de Souza. Apesar de toda a expectativa gerada em torno dos desfiles das escolas de samba da Capital na Praça do Papa, o carnavalesco lamenta por essa tradição estar sendo quebrada com o passar dos anos. “Não há mais bailes de salão, como acontecia na década de 1960 e 1970, nem matinês infantis”, lamenta.

Os desfiles acontecerão nos dias 3 e 4 de março, com os blocos convidados, e com escolas do grupo de acesso e do grupo especial. O grupo de acesso irá desfilar no dia 3, já o especial no dia 4. A apuração dos votos acontece no dia 5 na Concha Acústica, localizada no Parque das Nações Indígenas, e na sexta-feira, dia 7, acontece o desfile das escolas campeãs.

Conforme explica o presidente, os preparativos para o carnaval começam a partir da divulgação das prestações de contas ao Governo Estadual e Municipal. Todos os recursos que foram investidos devem ser apresentados aos órgãos responsáveis. Neste ano de 2014, houve o investimento de R$ 180 mil por parte do governo estadual, e R$ 160 mil por parte da prefeitura, além disso, a prefeitura irá arcar com as arquibancadas, som, palco, banheiros químicos, iluminação, dentre outros.

Por volta do mês de maio, as escolas começam a discutir o enredo para o próximo ano, após a escolha, esse enredo é apresentado ao carnavalesco da escola, se aceito, é feito o samba-enredo e após, as escolas começam a se organizar sua estrutura, seus carros, ordem das alas, fantasias. Em Campo Grande, cada escola do grupo de acesso possui cerca de 300 pessoas,  já a do grupo especial, chega a 800 esse número.

Em relação a tradição, Eduardo acredita que  a partir do surgimento do  axé music, como é conhecido, a tradição carnavalesca foi se quebrando. As marchinhas foram esquecidas, e em seu lugar apareceram as músicas de duplo sentido, que muitas vezes se tornam maliciosas para uma criança ouvir. “É mais cômodo para um prefeito fechar uma quadra e colocar uma banda de axé, do que, organizar o verdadeiro carnaval”, afirma.

Uma questão bastante importante e que todos os carnavalescos lutam, é por um espaço próprio. As escolas de samba não possuem o barracão, muitas delas dividem o espaço dos bairros com os centros comunitários. “A única escola que possui o próprio barracão é a Vila Carvalho. As outras, quando querem promover os eventos, como uma feijoada, ficam submissas ao calendário do centro comunitário”.

O presidente explica que o objetivo é fazer com que o município construa na esplanada ferroviária, localizada na Avenida Calógeras com a avenida Mato Grosso, a passarela do desfile, e que ali também aconteçam outros desfiles, como o de 7 de setembro e do aniversário de Campo Grande. No local também é possível que cada escola promova as suas atrações particulares, além de utilizar para  oficinas e capacitação de pessoas.

Muitos gostariam que os desfiles acontecessem no rua 14 de Julho, porém, um motivo para que não seja realizado nesse local, é o trânsito. “O trânsito está caótico. Não há como fechar diversas ruas por dois dias no centro de Campo Grande, alguns não se incomodam, mas se depender da maioria, o carnaval vai ter mídia negativa”, aponta.

Foi aprovado um projeto da vereadora Luiza Ribeiro e do vereador Eduardo Romero, que autoriza a mudança da lei orgânica, onde 1% de toda a arrecadação municipal será destinada para a cultura.

Nove escolas irão participar do carnaval 2014, entre elas a Igrejinha e Vila Carvalho, adversárias na avenida e por isso, prometem encher os olhos do público de cor e imagem, e os ouvidos de muito samba.

Tayná Biazus