12 de agosto de 2020
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Depois de barrar lei da cantina saudável, Longen polui Córrego na Capital

Proprietário da empresa Semalo Indústria e Comércio de Alimentos, Sergio Longen, atual presidente da Fiems (Federação da Indústria e Comércio de Mato Grosso do Sul) terá que responder à fiscalização da prefeitura municipal por supostamente contaminar o Córrego Bálsamo.Segundo denúncias de operários que trabalham na região, a empresa de Longen está despejando resíduos tóxicos de sua produção de salgadinhos e alimentos industrializados no Córrego sem o tratamento adequado, contaminando a água e os lençóis freáticos do local. De acordo com o secretário municipal do meio ambiente, Odimar Marcon, a prefeitura por meio do DLMA (Departamento de Licença e Monitoramento Ambiental) irá enviar equipes para fiscalizar o local e verificar se há irregularidades. “Sabendo da denúncia, temos agora que verificar in loco e fazer uma análise técnica dos efluentes despejados no local”, explica Marcon. O secretário informou que a verificação será feita em regime de urgência. Esta não é a primeira vez que a empresa de Longen traz problemas para a população da Capital. Recentemente, ele e o atual presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens e Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul), Edison Araújo, ingressaram com uma ação na justiça para impedir que lei do deputado estadual George Takimoto (PDT) que proíbe a comercialização de alimentos industrializados em cantinas de escolas públicas fosse sancionada, justamente, porque com a lei, sua fábrica Semalo seria diretamente prejudica, embora a lei seja benéfica para a saúde das crianças. Longen agora terá que responder à fiscalização da prefeitura e se comprovada a poluição e os danos à população da região, ele poderá, inclusive, responder a uma ação civil. Segundo o advogado Henrique Lima, em casos como esse, os moradores podem ingressar com uma ação civil pública ou individual solicitando ressarcimento por danos morais e materiais. “Esse tipo de poluição que acarreta mau cheiro, morte de flora e fauna e transtornos para população é passível de ações de indenização por danos morais”, explica Henrique. Outro ponto ressaltado pelo advogado é o aspecto ético da situação. “Como um representante de uma associação de credibilidade como a Fiems pode estar à frente da mesma e promover ações de boas práticas, se ele mesmo não as faz?”, questiona o advogado.  Outro ponto que pode trazer complicações para Longen, é a acusação que ele, por meio de nota de sua empresa, fez à prefeitura, afirmando que a poluição é responsabilidade do município que, desviou o uso do canal da empresa e passou a usá-lo para canalização urbana. Heloísa Lazarini