29 de novembro de 2020
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Moradores da Cidade de Deus II são vítimas de doenças por não possuírem comprovante de residência

Tayná Biazus

Os moradores do assentamento Cidade de Deus II estão sem atendimento no PS (Posto de Saúde) local. De acordo com os moradores do assentamento, os profissionais do PS não estão realizando o atendimento, pois os moradores não tem comprovante de residência que identifique o local que residem, assim como, não estão aceitando as declarações a próprio punho como comprovante.

Devido essa negligência, os moradores estão contraindo diversos tipos de doenças. A falta de atendimento está fazendo com que, principalmente um surto de catapora aconteça no local, além de diarreia e febre que estão sendo contraídas.

Em relação à catapora, os moradores do local reclamam da liberação da vacina, porém, mais uma vez, por não possuírem comprovante de residência, as crianças não podem ter acesso a ela. As crianças estão com diversas vacinas atrasadas. Animais, crianças e idosos estão contraindo as mais diversas doenças.

Muito se reclama do modo em que lá vivem. Não há rede de esgoto, quase todos os dias falta água, e a luz elétrica existente é devido as “gambiarras”, como dizem os moradores, feitas por eles mesmos, para que a luz chegue aos barracos. Além disso, há reclamações dos moradores, devido a falta de presença da SAS (Secretaria da Assistência Social) da Capital.

Os moradores se dizem esquecidos, e que somente são lembrados em época de eleição, quando vereadores e prefeitos vão ao local pedir o voto. “A população aqui está solicitando a presença dos vereadores fora da época da eleição também. Eles nunca vieram aqui. Nunca nenhum vereador esteve presente pra saber como vivemos. Estamos jogados e ninguém se importa”, disse Silvio Cesar, residente no assentamento.

Também de acordo com os moradores, hoje, eles não sabem mais “ de que lado estão”, pois a única coisa que chega à Cidade de Deus II é de “boca, só falação”. Eles contam que só ouvem falar que vai melhorar a situação, que eles serão transferidos para suas casas prometidas, mas nada acontece.

Hoje, estava presente no assentamento uma equipe fazendo o mapeamento, demarcando as ruas, e enumerando os barracos. “O que nós queremos são as nossas casas. Há muitas casas do município vazias distribuídas pelos bairros, por que não dão essas casas a nós? Nós não temos direito a nada. Não temos direito a saúde, a água limpa, nem a moradia. Tem dias que eu só tenho arroz pra comer aqui no barraco”, comentou Marina Gonçalves, mãe de quatro filhas.

Conforme informações, em torno de 300 famílias vivem no local, cada uma delas tem uma média de sete integrantes, e é esse total que está abandonado na Cidade de Deus II. Os locais, dizem não aguentarem mais as brigas entre vereadores e prefeito. “Os vereadores jogam essas casas pro Bernal, o Bernal joga as casas pros vereadores, e as nossas famílias, como ficam? Até quando isso vai acontecer? Até quando ficaremos abandonados e esquecidos aqui?”

A revolta é tamanha, que o próximo manifesto que acontecer não vai ser contra o Bernal, mas sim, contra os vereadores. “Nós vamos fazer o pizero, o barulho vai ser grande”, prometem os moradores.

SAS - A produção do MS Notícias entrou em contato com a SAS. Segundo a secretaria, o PS que atende aos moradores da Cidade de Deus II é o do Parque do Sol, porém, como a demanda está muito grande, a prioridade do momento são as gestantes, os idosos e as crianças, pois foge do âmbito do PS, atendimento para tamanha população. Também foi informado que providências estão sendo tomadas para que haja soluções para o que acontece.

PMCG- A produção do MS Notícias entrou em contato com a prefeitura municipal, porém, serão levantados os dados para que seja dada a devida resposta à imprensa.