20 de janeiro de 2021
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Terrenos baldios têm se tornado depósitos de lixo na Capital

Os terrenos baldios têm trazido preocupações aos moradores de diversos bairros de Campo Grande. Um dos principais fatores, além de animais que podem entrar nas casas, como cobras, escorpiões, aranhas e mosquitos, o acúmulo de lixo também incomoda a população que vive nos arredores desses terrenos.

Ao chegar ao local, pode-se ver algo parecido com um pequeno loteamento que possui diversos terrenos com a vegetação alta e aparelhos eletrônicos como televisores, computadores e ventiladores que foram depositados, além de sofás, escadas, vidros e pedaços de galhos de árvores provenientes de podas.

A dona de casa Jacilena dos Santos Josia,43, tem sua casa ao lado de um terreno vazio. Neste terreno, conforme afirma a dona de casa, além dos aparelhos eletrônicos já foram jogados animais mortos. “Meu marido é quem limpa aqui. Ele pega a inchada e capina tudo, porque o dono no terreno quase não manda limpar”.

Além de fazer a limpeza do terreno, Jacilena conta que sua casa é infestada de mosquitos, assim como a da maioria dos moradores do local. Ela tem encontrado ratos em seu quintal e quase todos os dias usa uma bomba costal para passar veneno na casa contra os insetos e animais.

Dona Jô, como é conhecida no bairro, explicou que vários lotes dos terrenos são de propriedade particular, mas estão abandonados. Um adolescente que empinava pipa em meio a sujeira contou à reportagem que antigamente o local era de propriedade das Águas Guariroba. Certo dia o adolescente entrou em contato com a empresa denunciando um caminhão que estava despejando sujeira, mas, a companhia disse não ser mais dela a propriedade do local.

Stéphani Gimenes Costa, 31, autônoma mora há quatro meses no bairro, a uma quadra dos terrenos baldios. Stéphanie já encontrou dentro de sua residência cobras e aranhas, mas não é somente com isso que ela tem se preocupado, por ter dois filhos pequenos, um de cinco meses e um de dois anos. Nesses quatro meses já entraram duas vezes em sua casa, que é alugada e roubaram pequenas coisas como shampoo, mangueira, frasco de perfume, ferro e chapinha de cabelo. “Dizem que levam esses produtos pra trocar por droga. Tem minha televisão, tem geladeira, tem tanta coisa, mas levam só essas coisas pequenas”.

Stéphanie considera o local como um verdadeiro depósito, e acredita que os verdadeiros culpados são aquelas pessoas que tem a capacidade de levar o lixo e atirá-lo. A reportagem do MS Notícias fez o flagrante de um carro jogando algumas sacolas e galhos  na área.

A maneira encontrada para evitar a entrada de animais na residência é jogar nos muros creolina, que ajudam a matar os bichos peçonhentos. Os moradores tem receio de pedir para as pessoas pararem de depositar lixo nos terrenos, pois algumas podem ficar agressivas.

A reportagem entrou em contato com a Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), responsável por notificar proprietários para fazer a limpeza desses locais, e a secretaria irá entrar em contato com a Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação), através de laudo, para que eles façam a limpeza possivelmente nesta semana.

Foi entrado em contato com as Águas Guariroba para saber se os imóveis são de sua responsabilidade e de acordo com a assessoria as áreas não pertencem a empresa.

Tayná Biazus