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tera, 07 de abril de 2020

ESTIMATIVA

100 milhões de infectados podem ser 3 milhões de mortes no Brasil

Relatória de Abin bate com estimativa de ministro da Saúde, e país recolherá cadáveres como na Itália, se medidas efetivas não forem adotadas

Por: REDAÇÃO*26/03/2020 às 11:06
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Guedes, Bolsonaro e Mandetta em coletiva de imprensaGuedes, Bolsonaro e Mandetta em coletiva de imprensaFoto: SERGIO LIMA / AFP

Em entrevista coletiva, o ministro da Saúde de Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, confirmou que 100 milhões de brasileiros devem ser infectados pelo coronavírus, conforme analistas, o número apresentado por Mandetta bate com relatório vazado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que prevê 5,571 mil óbitos até 6 de abril a serem provocados pela Covid-19. 

"O que a gente sabe é que quando passa de 50% da população infectada, o vírus já não consegue multiplicar mais na mesma velocidade. Se vai ser 50%, 60% ou 70% da população, isso é secundário. Em saúde, dois mais dois, pode ser quatro, três e meio. Cada organismo é diferente, cada população é diferente", disse o ministro em coletiva no último domingo (22.março).

Se avaliada a previsibilidade de infectados, ao menos 3 milhões de pessoas devem morrer no Brasil. O que ultrapassa a previsão conservadora do virologista com doutorado pela Universidade Oxford e professor no Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Paolo Zanotto, orientado pelo estudo australiano, havia estimado no último dia (12.março) que morreriam ao menos 257 mil brasileiros infectados pelo coronavírus nos próximos meses.  

Mandetta, Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes, fizeram a escolha econômica. Tentam convencer a população de que não há outra alternativa, que aconteceria naturalmente, que essa é a evolução da doença e ponto.

No entanto, se orientados pelas práticas na China, a vitória contra o vírus era certa. Assim como aconteceu no País asiático, ocorreu no Japão, em Taiwan e Cingapura, todos com grande número populacional, que registram poucas mortes, pois optaram pela proteção de vidas. Orientado o isolamento social.

No Brasil, os líderes preferiram não paralisar a economia do país, mantê-la funcionando e manter a circulação de pessoas, conforme orientou Jair Bolsonaro em seu pronunciamento na última treça-feira (24.março). No qual também elegeu à imprensa a culpabilidade pela grande repercução desnecessária do vírus, que para ele, não passa de "uma gripizinha". A escolha do governo brasileiro foi feita, orientada pelos interesses de poderosos, do lucro, em vez de escolher as vidas de milhões.

Nenhum dos países que venceram o vírus, adotou medidas de isolamento só do infectados e grupos de risco, como propôs Bolsonaro. Por outro lado, a economia romperá, ou não, mas Paulo Guedes afirma que sim, desse modo os poderosos empresários brasileiros ordenam que o presidente que eles colocaram no poder, trabalhem em favor deles.  

COMO OUTROS PAÍSES VENECRAM O COVID-19

Por - Lioman Lima - @liomanlima da BBC News Mundo

Itália e Espanha ultrapassam China. Número de casos supera 462 mil. Foto: GETTY IMAGES

1. TESTES, TESTES E MAIS TESTES

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas concordam que a detecção precoce de casos é um fator fundamental para conter a disseminação de um vírus. "Você não pode agir ou saber o real impacto do vírus sem saber quantas pessoas ele afetou", comentou o epidemiologista Tolbert Nyenswah, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos em entrevista ao BB News.

Krys Johnson, professor de epidemiologia da Universidade Temple, nos Estados Unidos, concorda que esse fator fez a diferença entre algumas nações que estão obtendo resultados melhores em sua batalha contra o vírus em relação a outras onde o número de casos está aumentando rapidamente.

"A Coréia do Sul está testando cerca de 10 mil pessoas por dia, o que significa que eles testam mais pessoas em dois dias do que os Estados Unidos em mais de um mês", diz Johnson.

Em uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que fornecer os testes a qualquer pessoa com sintomas de infecção foi a "espinha dorsal para impedir a propagação" da pandemia.

No entanto, ele alertou que muitos governos continuam a fazer os exames apenas para os pacientes mais graves, o que não só pode gerar estatísticas que não correspondem à realidade, mas também faz com que as pessoas com sintomas mais leves continuem transmitindo o vírus.

2. ISOLE OS INFECTADOS

Johnson observa que a realização de testes permite não apenas isolar os doentes e impedir que o vírus se espalhe entre mais pessoas, mas também cria a possibilidade de detectar infecções que ainda não desenvolveram sintomas. "A Coréia do Sul e a China fizeram um excelente trabalho em rastrear, testar e isolar seus cidadãos", diz ele.

Segundo o especialista, o governo chinês tem sido "hipervigilante" na detecção de possíveis novos casos, o que pode ser uma das causas da queda nas infecções relatada pelo país.

"Pessoas com febre são enviadas para clínicas e testadas para gripe ou covid-19. Quando apresentam resultado positivo para covid-19, ficam isoladas em 'hotéis de quarentena' para evitar que infectem suas famílias", diz Johnson.

Em Taiwan, Cingapura e Hong Kong, embora existam locais de quarentena estatais, a regra foi fazer com que as pessoas permanecessem em suas casas e fossem multadas — às vezes, em mais de US$ 3 mil (R$ 15 mil) — se descumprissem a medida.

Mas, de acordo com Nyenswah, rastrear possíveis infecções tem sido uma parte fundamental de sua estratégia.

A esse respeito, ele lembra que as autoridades de Taiwan e Cingapura desenvolveram ações abrangentes para localizar pessoas que estavam em contato com os doentes, desde a realização de entrevistas com os infectados até a revisão de câmeras de segurança ou registros de transporte, hotéis e exames.

"Por exemplo, em 12 de março, em Hong Kong, quando tinham 445 casos suspeitos, foram realizados 14,9 mil testes entre os contatos dessas pessoas para detectar possíveis infecções, e 19 foram positivos", diz ele.

3. PREPARAÇÃO E REAÇÃO RÁPIDA

Nyenswah foi uma das pessoas responsáveis pelo combate ao ebola na África Ocidental. Segundo ele, um dos elementos básicos para a contenção de um vírus é reagir rapidamente, antes que se espalhe entre toda a população.

"Países como Taiwan e Cingapura mostraram que ações rápidas para a detecção e isolamento de novos casos podem ser um fator decisivo para conter a disseminação", diz ele.

Um artigo publicado no Journal of American Medical Association sobre a resposta de Taiwan aponta que a contenção alcançada pela ilha se deve parcialmente à preparação que eles desenvolveram para eventuais eventos desse tipo, desde que criaram um comando central de controle de epidemias em 2003.

O órgão, que inclui várias agências governamentais, foi criado após a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) e, desde então, realiza vários exercícios e investigações para obter respostas a possíveis surtos, como explicam em seu site.

"A preparação e a ação rápida são essenciais nos estágios iniciais. Na Europa e nos Estados Unidos, vimos que não só houve falta de preparação, mas houve reação tardia", diz Nyenswah.

Antes de confirmar a transmissão local em meados de janeiro, Taiwan começou a rastrear todos os passageiros vindos de Wuhan, a cidade chinesa onde a atual pandemia começou.

Hong Kong começou a implementar estações de medição de temperatura em portos, aeroportos e fronteiras a partir de 3 de janeiro e, em seguida, implementou quarentenas de 14 dias para os turistas que chegavam.

Além disso, cada médico foi instruído a notificar se identificasse qualquer paciente com febre ou sintomas respiratórios agudos e histórico de viagens recentes a Wuhan. "Novamente, o tempo foi o fator decisivo", afirma Nyenswah.

4. DISTANCIAMENTO SOCIAL

Segundo o especialista, quando os primeiros contágios de um novo vírus são relatados em uma população, as medidas de contenção não fazem mais sentido e outras, como o distanciamento social, acabam sendo mais eficazes na prevenção de contágio.

"Uma vez que você já tem a doença em seu país, você precisa começar a tomar as medidas certas ou perde a chance de interromper efetivamente o surto", diz ele.

De acordo com Nyenswah, a velocidade em instituir normas de distanciamento social em países como Hong Kong e Taiwan foi essencial para reduzir o contágio.

Hong Kong orientou os adultos a trabalharem de casa desde o final de janeiro, fechou as escolas e cancelou todos os eventos sociais.

A mudança já foi replicada em muitos países, mas, segundo Johnson, uma das chaves para os resultados foi a velocidade com que a decisão foi tomada.

Por outro lado, Cingapura nunca cancelou as aulas por causa do potencial impacto econômico que teria sobre trabalhadores com filhos menores.

No entanto, de acordo com o jornal local The Straits Times, a estratégia tem sido testar e monitorar todos os alunos e funcionários todos os dias.

5. PROMOVER MEDIDAS DE HIGIENE

Desde que os primeiros surtos de coronavírus começaram a ser notificados fora da China, a OMS insistiu que, além do distanciamento social, lavar regularmente as mãos e manter uma boa higiene ao notar qualquer sintoma são essenciais para evitar a transmissão do vírus.

"Muitos países asiáticos aprenderam com a experiência da Sars em 2003 e são países onde existe a consciência de praticar medidas de higiene não apenas para não adoecer, mas também para não infectar outras pessoas, algo essencial nesses casos", diz Nyenswah.

Em países como Cingapura, Hong Kong e Taiwan, os dispensadores de gel antibacteriano nas ruas são comuns e o uso de máscaras estava difundido antes mesmo do novo coronavírus.

As autoridades de Taiwan, por exemplo, promoveram pela internet campanhas de lavagem de mãos e reforçaram a limpeza de ruas e outros locais públicos.

"É um fator que geralmente é ignorado em meio às medidas drásticas que estão sendo tomadas, mas acho que essas medidas no nível do cidadão, como lavar as mãos, continuam sendo as mais eficazes", diz Nyenswah.

Fonte: *BBC News. 

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