A tentativa da extrema direita de transformar um filme sobre Jair Bolsonaro em peça de reconstrução política acabou produzindo efeito contrário nas urnas. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na 3ª feira (19.mai.26) mostra que o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro perdeu mais de cinco pontos percentuais no primeiro turno e despencou seis pontos em um eventual segundo turno após vir à tona o áudio em que pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa sobre o pai.
O episódio atingiu em cheio o discurso moralista cultivado pelo bolsonarismo desde 2018. Enquanto aliados tentavam vender a imagem de perseguição política e resistência conservadora, a divulgação do pedido de R$ 134 milhões a um dos principais nomes do sistema financeiro expôs a falsidade de um grupo que se apresenta como “antissistema”, mas recorre aos velhos círculos de poder econômico para sustentar sua máquina de influência.
Com a crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou vantagem sobre o principal herdeiro político do bolsonarismo. Em abril, Flávio aparecia em empate técnico no segundo turno, com 47,8% contra 47,5% de Lula. Agora, o petista abriu distância: 48,9% a 41,8%.
A maior parte dos votos perdidos por Flávio migrou para indecisos, brancos e nulos, grupo que praticamente dobrou e saltou de 4,7% para 9,3%. O movimento indica desgaste dentro do próprio campo conservador, especialmente entre eleitores que já demonstravam incômodo com disputas internas, escândalos e a dependência cada vez maior do clã Bolsonaro de estratégias midiáticas para manter relevância política.
O levantamento foi realizado entre 13 e 18 de maio, período que coincide com a divulgação do áudio pelo The Intercept. Foram entrevistados 5.032 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro é de um ponto percentual, com 95% de confiança.
No primeiro turno, Lula subiu de 46,6% para 47%, enquanto Flávio caiu de 39,7% para 34,3%. Atrás aparecem Renan Santos, com 6,9%, Romeu Zema, com 5,2%, e Ronaldo Caiado, com 2,7%.
A pesquisa também simulou cenários alternativos para uma eventual derrocada da candidatura de Flávio. Sem o senador na disputa, Zema e Caiado crescem, mas nenhum ameaça a liderança de Lula. Já em uma composição com Michelle Bolsonaro como candidata do PL, ela aparece distante do presidente: 23,4% contra 47%.
Nos cenários de segundo turno, Lula também venceria Zema, Caiado e Renan Santos com ampla vantagem.











