24 de setembro de 2020
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Bancada Ruralista de MS no Congresso desaponta produtores rurais

A atuação dos deputados federais e dos senadores de Mato Grosso do Sul que defendem os interesses dos produtores rurais que possuem terras ocupadas por índios tem desapontado os mesmos. Eles destacam que os problemas se arrastam desde a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e que a União procrastina a solução dos conflitos. Além disso, a votação da PEC 215 que transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso ainda está travada.

“Eu entendo que se quisessem de fato dar andamento a PEC 215 teriam trancando a pauta e se indisposto com o governo federal. Nossos parlamentares nos defendem muito bem, mas nos discursos. Não há ações concretas. Falar bonito e de forma agressiva com o ministro da justiça (José Eduardo Cardozo), eles falam, mas não tem efeito concreto como teria, por exemplo, o travamento da pauta. Por que não fizeram com a PEC 215 como fizeram com o código florestal? Se não votasse, não votaria a lei da copa. Não que eles (parlamentares) não nos defendem, mas estamos carentes de ações com efeito concreto porque falar na tribuna não ajuda em nada”, declarou a advogada e produtora rural Luana Ruiz.

Para o proprietário da Fazenda Esperança, localizada em Aquidauana  - distante 142 km  de Campo Grande - ocupada por índios Terena, Nilton Carvalho da Silva Filho, o governo federal está tentando solucionar o conflito da forma errada, prejudicando tanto os produtores quanto os próprios índios que vivem em situação de miséria em todo o país. “Enquanto esse problema tiver cinismo, ideologia por parte de quem tem que resolver, não se resolve. A paciência vai se esgotando das pessoas e o índio continua desassistido do mesmo jeito. Se o problema do índio fosse a terra, os Kadiwéu não tinham problema nenhum. Na Raposa do Sol, eles até pioraram porque trabalhavam nas fazendas e perderam emprego. O problema dos índios é o mesmo de todo brasileiro que depende da educação, saúde e assistência social do governo. E o governo tem dinheiro para investir, afinal tem dinheiro para construir estádio da copa”.

Luana Ruiz ainda aponta que o governo petista é ausente na responsabilidade de articular ações para compra das terras em conflito. “O PT é um lixo. Não tem outra palavra. Não só enquanto partido, mas enquanto dirigentes. Eu, Luana, pedi em maio de 2013 para o senador Delcídio (do Amaral, PT) para um remanejamento de funcionários locais da Funai (Fundação Nacional do Índio) em determinada região que ajudaria a conter os ânimos. Já faz quase um ano e eu ainda não obtive resposta. O PT não esta comprometido em resolver, mas também não podemos esquecer os outros partidos. O maior número de demarcações foi na época do Fernando Henrique. A primeira-dama, Ruth Cardoso, que deu esse poder de demarcação para os antropólogos”, criticou.

Por outro lado, o proprietário da fazenda Buriti, localizada em Sidrolândia – distante 70 km de Campo Grande – Ricardo Bacha acredita que há boa vontade da bancada ruralista, apesar das limitações. “Acho que a bancada ruralista desenvolve um papel importante no Congresso em defesa do agronegócio, com as limitações que o Congresso impõe. Eles não são maioria, não podem aprovar tudo que querem. A PEC 215, por exemplo, não foi aprovada porque a bancada não é majoritária. Muitas conquistas do setor rural estão sendo feitas. O que o produtor tem que entender é que é necessário eleger mais gente representativa do agronegócio”.

Fabiano Nava, produtor rural em Laguna Carapã – distante 275 km da Capital – afirma que a classe ruralista anseia por mais apoio, mas entende as limitações de seus representantes. “Para gente que está na politica é preciso fazer joguinho para permanecer. Eles até jogam para o nosso lado, mas também tem que jogar para o lado que convém para eles. Tudo gira em torno de acordo, qualquer que seja a bancada. Tem que ceder de um lado para conseguir de outro. Eu acho que eles lutam pelos nossos interesses conversando com a União. Às vezes, não tão incisivamente como a gente queria, mas faz parte”, ressaltou.

Diana Christie