28 de julho de 2021
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Chegada de Azambuja exige atenção redobrada de PMDB e PT

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Azambuja21

Se acontecer de o deputado federal Reinaldo Azambuja confirmar oficialmente sua candidatura ao governo pelo PSDB, o PT do senador Delcídio Amaral e o PMDB do ex-prefeito Nelson Trad Filho que ponham as barbas de molho.

A inserção pura e simples de Azambuja no teatro de disputa não significa a  compulsória remoção de Delcídio do patamar de favoritismo. O petista goza de uma vantagem cuja solidez está na capilaridade do perfil político que plantou e conserva há 12 anos.

Evidentemente, Delcídio deve o seu efetivo nascimento político-eleitoral e a conseqüente ascensão ao partido que nele apostou. Porém, conseguiu criar para si um espaço de luz própria e específica no qual, beneficiado por uma distância administrada da influência do PT, veio ampliando seu raio de ação e de atração do diversificado apoio atribuído aos seus projetos eleitorais.

Nelsinho Trad tem sua parcela – que é considerável – de luz própria, sobretudo no apelo do sobrenome familiar em Campo Grande. Todavia, ainda não conseguiu estender-se Estado afora na dimensão e na densidade exigidas para o tamanho da disputa de um governo estadual. Por isso, depende do lastro que sempre teve peso decisivo em sua trajetória de prefeito duas vezes à pré-candidatura ao Governo: o apoio total, irrestrito e indiscutível de André Puccinelli.

O governador e os aliados da base de sustentação governista constituem peças estratégicas e imprescindíveis para que Nelsinho Trad usufrua de competitividade e poder de fogo à altura do confronto que se avizinha. Ele, por certo - e não é nenhum tolo, a considerar sua vitoriosa ficha na disputas eleitorais das quais participou como candidato, vencendo todas -, não se fia no retrato numérico das pesquisas de superfície.

Os indicadores qualitativos demonstram – por dedução lógica ou instinto preventivo – que não basta a Nelsinho Trad sair na frente em Campo Grande. É preciso sair muito bem na frente, com folgada dianteira sobre dois concorrentes que foram determinantes para frustrar sua tentativa de fazer o próprio sucessor na Prefeitura de Campo Grande . Quem se lembra, Delcídio e seu PT foram os primeiros a apoiarem o vitorioso Alcides Bernal no segundo turno, enquanto Azambuja e seu PSDB quase impediram o peemedebista Edson Giroto de passar do primeiro turno. O petista e o tucano ajudaram a jogar a pá de cal no túmulo da hegemonia local do PMDB, da qual Nelsinho Trad era o fiador de plantão.

A atenção que a possível candidatura de Azambuja impõe ao PMDB também chega ao PT. Os eleitores do tucano, em princípio, se acotovelam majoritariamente no campo de preferências tradicionalmente ocupado pelos peemedebistas. O que não livra de Delcídio a possibilidade de também ser prejudicado pela evasão de eleitores com o perfil de centro e de direita que estão – ou estavam – em processo de adesão á sua pré-candidatura. O desenho do segundo turno ainda não saiu do esboço, mas a tela já está no cavalete.

Edson Moraes, especial para o MS Notícias