09 de agosto de 2020
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Delcídio respeita decisões do PT sobre alianças

Ciente da importância que a militância do PT confere à liturgia partidária, o senador Delcídio Amaral procura não ferir suscetibilidades de alguns correligionários mais inquietos com a aproximação de forças que, local ou nacionalmente, integram campos de oposição ao petismo.O pré-candidato, até por conta da liderança nas pesquisas, vem alargando ao máximo o espaço de conversações visando ao fortalecimento de seu palanque.  E age com cuidado. Mesmo “autorizado” por lideranças como o ex-presidente Lula e o ex-governador Zeca, que têm peso decisivo no caminhar da legenda em Mato Grosso do Sul, Delcídio não pretende utilizar a bel-prazer essa liberdade. A postura de Delcídio, ao ser avaliada em sua plena dimensão, vai remover as resistências que ainda tentam desqualificar sua candidatura atribuindo-a a um desejo pessoal e individualista. Líder absoluto das pesquisas e um dos principais destaques do PT sul-matogrossense no contexto nacional, ainda assim Delcídio procura demarcar sua autoridade dentro de limites que não avancem sobre a práxis e a cultura deliberativa do partido. Não é um exercício fácil. Há prós e contras envolvendo a trajetória de Delcídio Amaral no PT, partido que, rigorosamente, não era o dos seus sonhos quando entrou na política e despertou-se para o direito de disputar mandatos. Para equilibrar numa mesma balança e com pesos iguais o que é sonho pessoal e o que é interesse partidário, tem sido árduo e longo o aprendizado. Talvez sequer tenham cicatrizado totalmente todas as feridas que ficaram como saldo das rugas entre ele e Zeca, herança emocional de dois processos eleitorais convulsivos e complexos. Hoje, embora o aprendizado continue, necessário e revelador, Delcídio sabe que conseguiu uma vitória extraordinária ao sobreviver no PT. E ainda que o PT não seja seu retrato e nem ele seja retrato do PT, por sobrevivência política e eleitoral, e não partidária, que é outra história, eleitoralmente ambos se identificam e se precisam num contexto em que as necessidades os tornam iguais. Com isso, Delcídio Amaral deve prosseguir pisando em ovos ou caminhando firme sobre o fio tênue que o mantém com o suporte de uma das maiores agremiações partidárias da história brasileira e do mundo contemporâneo. Os entendimentos com partidos ou forças notoriamente avessas ao PT, como é o caso do PSDB de Reinaldo Azambuja ou o PMDB de André Puccinelli, podem resultar em nada. Porém, deixarão como lição para o futuro um experimento saudável nas democracias, o do diálogo e da diversidade sem que seja preciso um bater a porta na cara do outro. É cada um definir o que quer e o que não quer, verificar se têm ou não afinidades, dizer sim ou não e submeter o saldo dessa conversa à deliberação dos partidos e estatutos ideológicos e orgânicos aos quais se subordinam como filiados. Edson Moraes