10 de maio de 2026
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EXTREMA DIREITA

"É uma confissão. [Cid] vai admitir" que vendeu joias por ordem de Bolsonaro

Bolsonaro mandou Cid derreter um 'Rolex' para levantar R$ 300 mil

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Mauro Cid vai admitir que vendeu um relógio Rolex por ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O advogado de Cid, Cezar Bitencourt, afirmou nesta 2ª feira (21.ago.23) que ele fará uma confissão à Polícia Federal (PF), sobre o caso de desvio e venda ilegal de joias da Presidência. 

Bolsonaro mandou Cid derreter um 'Rolex' para levantar R$ 300 mil nos Estados Unidos. Cid ouviu de Bolsonaro a seguinte frase: "Resolve isso aí".

"É uma confissão. [Cid] vai admitir. As provas estão aí, ele vai admitir. Mas isso é início de conversa. Nem falei com o delegado que está com a investigação", afirmou o advogado. "[Cid] efetuou a venda do relógio nos EUA, daí ia trazer para cá o resultado. Ele era assessor do chefe. Fez isso e procurou entregar para quem o determinou que fosse feito a venda."

A defesa de Cid tenta marcar uma audiência com o ministro Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A intenção da defesa de Cid é a de negociar um novo depoimento.

VAI E VÉM DE VERSÕES

Desde que assumiu a defesa na última 4ª (16.ago), o advogado Cezar Bittencourt deu declarações confusas e divergentes sobre os próximos passos de Mauro Cid no caso das joias.

Em entrevista à GloboNews, o advogado declarou que Cid era um assessor que cumpria ordens do chefe. "Ordem ilegal, militar cumpre também".

Na 5ª (17.ago.23), Bitencourt afirmou que Cid iria confessar que participou da venda das joias a mando de Bolsonaro. A declaração foi dada à revista Veja, como divulgamos aqui.  

Um dia depois, o advogado deu nova versão ao jornal o Estado de S. Paulo. "Não, não tem nada a ver com joias! Isso foi erro da Vejs (sic) não se falou em joias!", escreveu em mensagem.

À GloboNews, mais tarde, ele disse que o caso não se trata de joias, mas de somente uma: um relógio da marca Rolex. E que não se trataria de uma confissão, mas "esclarecimentos" a serem feitos aos investigadores.

Em nova entrevista ao Estadão, publicada no domingo (20.ago.23), o advogado disse que dará "20, 30 versões" e que "pode dizer o que quiser".

OPERAÇÃO LUCAS 12:2

Como detalhamos aqui no MS Notícias, na Operação Lucas 12:2 (nada permance escondido), a Polícia Federal investiga a venda de dois relógios de luxo, um da marca Rolex e outro da marca Patek Philippe. As duas peças teriam sido vendidas em uma loja no Estado norte-americano da Pensilvânia por US$ 68.000. Um dos relógios, o da marca Rolex, foi recomprado nos EUA por Frederick Wassef, advogado dos bolsonaros. Ele disse ter comprado a peça para “cumprir decisão do TCU” e negou que tivesse agido a pedido de Cid ou do ex-presidente.

Wassef foi alvo de operação da PF na noite da 4ª feira (16.ago).

Vamos lembrar que no início deste ano a equipe de Bolsonaro já foi desmascarada contrabandeando joias de R$ 16,6 milhões dos Emirados Árabes para o Brasil. O objeto foi pego na alfândega no final do ano passado, quando Bolsonaro ainda era Chefe de Estado.  

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