30 de novembro de 2020
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CRISE DIPLOMÁTICA

Eduardo Bolsonaro acusa China e Mandetta tenta justificar dificuldade na compra de EPIs

Problema diplomático causado pelo deputado federal deixará o Brasil sem nenhum equipamento de proteção individual o que pode promover infecção de milhares de profissionais da saúde

A justificativa do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é de que os Estados Unidos seriam os responsáveis pela “queda” da compra de produtos de proteção individual aos profissionais da saúde brasileiros. O ministro justificou ontem, quarta-feira (1.abril), que os americanos teriam comprado ‘um grande volume de produtos da China’, o que derrubou a possibilidade do Brasil de comprar produtos do país chinês. No entanto, a verdadeira implicação da compra deve ter sido a fala do filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que disse que os chineses seriam os criadores do vírus e criou tensão entre os países. A postagem foi feita na conta do Twitter de Eduardo. Questionado, o filho de Bolsonaro disse que como deputado pode ‘estimular o debate’. O embaixador da china no Brasil, Yang Wanming, respondeu ao ataque. 

“A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty e a Câmara dos Deputados”, disse Yang no Twitter.

Mandetta por sua vez tenta disfarçar o prejuízo causado pela declaração de Eduardo Bolsonaro, que em nada colaborou para o Brasil no enfrentamento do vírus.  "Hoje os Estados Unidos mandaram 23 aviões cargueiros dos maiores para a China, para levar o material que eles adquiriram. As nossas compras, que tínhamos expectativa de concretizá-las para poder fazer o abastecimento, muitas caíram", afirmou o ministro. "Mais do que nunca temos que poupar ao máximo.", explicou o ministro da saúde.

Apesar de a família presidencial estimular a abertura do comércio e a volta ao cotidiano norma, o ministro reforçou ontem que mais do que nunca, essa é a hora de reforça as medidas de distanciamento social. Segundo o ministro, a pasta já buscou outros fornecedores, mas não há certeza da entrega.

"Só acredito na hora que estiver dentro do país e na minha mão. Tenho contrato, documento e dinheiro. Às vezes o colapso é quando tem dinheiro e não tem o produto. O mundo inteiro também quer. Tem problema de demanda hiperaquecida", disse, argumentando. A fala tremula do ministro atenuou que sua argumentação estava em defesa do problema causado com o País asiático. 

Mandetta explicou ainda que a mesma situação de incerteza na entrega afeta o fornecimento de respiradores usados em UTIs. "Hoje conseguimos fazer uma possível compra de 8.000 respiradores. Tem 30 dias para nos entregar. Se receber, ótimo, acalmo", disse.

Foto: GIL COHEN-MAGEN / AFP

Para o ministro, a dificuldade atual na oferta de produtos e insumos tem relação com o baixo número de fornecedores, com produção concentrada sobretudo na China.

"Espero que nunca mais o mundo cometa o desatino de fazer 25% da produção de insumos em um único país. Essa é uma discussão do pós-epidemia."

Ainda segundo Mandetta, secretarias de saúde já foram abastecidas de equipamentos de proteção individual, mas a situação gera preocupação diante da possibilidade de sobrecarga no sistema.

Ele pediu que gestores estaduais também tentem comprar produtos por conta própria, na contramão de orientações anteriores da pasta. "A compra que o Ministério da Saúde está tentando fazer centralizada é um esforço. Façam vocês também, localmente, internacionalmente, como sempre fizeram."

Em outra frente, sugeriu que a população que tiver necessidade faça máscaras de pano, deixando os outros modelos para a rede de saúde. "Máscara de barreira mecânica funciona muito bem. Qualquer pessoa pode fazer e vai estar ajudando o sistema de saúde", disse.

*Com informações do O Globo.