28 de novembro de 2020
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ELEIÇÕES 2020

Em Dourados e Nova Alvorada do Sul cenários levantam solução com chapa única

Na grande Dourados: Marçal Filho. Em Nova Alvorada do Sul: Arley Barbosa

O freio social e econômico causado pela pandemia do Covid-19 tem afetado seriamente o ambiente pré-eleitoral em Mato Grosso do Sul. Embora sem interromper as movimentações dos partidos e dirigentes, a crise instala um cenário que impõe novas dificuldades e barreiras diversas a muitos pretendentes, obrigando muitos pretendentes a refletir melhor sobre suas reais condições e até que ponto vai sua competitividade para entrar numa disputa onerosa e quase sempre desgastante.

Com isso, em alguns municípios a projeção de disputas passou a abrigar soluções alternativas por parte de quem não deseja ter seus horizontes políticos fechados por causa de um projeto sem a necessária sustentação. É o caso de duas cidades, Dourados – a segunda maior do Estado – e Nova Alvorada do Sul, nas quais avança a ideia da chapa única, uma saída para evitar desgastes e prejuízos financeiros, políticos e pessoais.  

MAIS COTADOS

Em princípio, o deputado estadual Marçal Filho (PSDB) e o prefeito Arlei Barbosa (MDB) são os mais cotados para o caso de candidaturas únicas nesses municípios. Em Dourados, existem no mínimo 10 postulantes à sucessão da prefeita Délia Razuk, que não deve tentar a reeleição face aos desgastes acumulados em sua administração, com crises internas e escândalos envolvendo assessores e operações policiais.

Os mais fortes pré-candidatos à sua sucessão pertencem aos quadros da Assembleia Legislativa, os deputados estaduais Marçal Filho, José Carlos Barbosinha (DEM) e Renato Câmara (MDB). O PSL, o PT e outras legendas anunciaram entrar na disputa, entretanto precisam reverter os números negativos com que aparecem nas pesquisas.

O favoritismo de Marçal Filho dá tanta tranquilidade ao partido e ao seu principal líder, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que pode levar o colega parlamentar Barbosinha a mais uma vez adiar sua candidatura, como fez em 2016. Além de evitar incômodos conflitos num lugar em que a política vem gerando escândalos e espalhando podridão para todos os lados, desviar-se de um páreo pulverizado significa também poupar energia e finanças, sem considerar o ganho partidário com a conquista de mais uma prefeitura.

APOIOS CONSOLIDADOS

Em Nova Alvorada do Sul, a pré-candidatura do prefeito Arlei Barbosa, que vai em busca do quarto mandato, está com sua base de apoios consolidada. A tarefa agora é ampliá-la, o que está em curso com a aproximação de forças que não estavam na base que carregou a sua campanha em 2016.

Além disso, a legião de rivais, que chegou a ter até 14 nomes, está diminuindo. Hoje restam poucas opções de fato capazes de competir. O empresário José Paulo Paleari (DEM) quer firmar-se entre elas. Sua esperança é atrair as pré-candidaturas que desistirem no caminho e ainda contar com a tolerância da opinião pública, para não ser castigado pelo desgaste de certos episódios que o submeteram a exposições constrangedoras.

A pedra no sapato de Paleari é a citação de seu nome várias vezes na delação dos irmãos Joesley e Wesley batista, donos do Grupo JBS, durante as investigações de combate à corrupção. Paleari foi apenas citado e não virou réu, está com os direitos políticos intactos. Mas estar mencionado pelos irmãos Batista em operações contra a corrupção envolvendo o Grupo JBS é um estorvo determinante para desestimular apoios políticos e eleitorais, num tempo em que esse tipo de desgaste espanta cabos eleitorais e eleitores de todos os níveis.