14 de agosto de 2020
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“Estamos perdendo a paciência”, diz liderança indígena sobre compra da Buriti

Hoje foi a vez de uma liderança indígena visitar a Câmara Municipal de vereadores para mostrar o lado dos índios na situação dos conflitos indígenas que acontecem no campo.

Na terça-feira da semana passada quem visitou a Casa de Leis foi o presidente da Acrissul, Francisco Maia, que defendeu os produtores. Desta vez a convite do vereador Zeca do PT quem compareceu para representar os índios foi a liderança indígena, Alberto Terena, que também é representante da mesa de negociação criada pelo governo federal para resolver os conflitos entre indígenas e produtores.

Alberto que mora na aldeia Buriti localizada dentro da fazenda Querência São José, próxima aos municípios de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, distantes a 71 quilômetros e 83 km de Campo Grande, discursou na tribuna da Câmara por aproximadamente quinze minutos sobre o tratamento que recebem por parte do governo e produtor rural na região que já foi palco de diversas invasões e conflitos violentos entre indígenas e produtores rurais.

A fazenda da família do produtor rural Ricardo Bacha, faz parte de um território de 17 mil hectares, que, de acordo com os estudos técnicos da Funai (Fundação nacional do índio), elaborados em 2001, é uma área indígena.

Hoje em dia a aldeia Buriti possui uma área de aproximadamente 2.090 hectares, mas de acordo com Alberto Terena o que os demais indígenas querem é que o governo libere mais 15 mil hectares para que eles possam trabalhar num maior espaço com a agricultura sustentável desenvolvida pelas famílias indígenas que moram no local.

“Queremos que o governo federal resolva de vez essa situação, pois aquelas terras são nossas e não do produtor. A única coisa que de posse do produtor rural é o título da fazenda que foi vendido pelo Estado. Se o Estado errou, ele que resolva o seu erro. Precisamos de mais espaço para nosso cultivo de mandioca, milho, batata doce, melancia, entre outros produtos. Não agüentamos mais essa demora, queremos rapidez nos processos de demarcação e cumprimento dos prazos. Isso precisa ser resolvido logo, pois ambos os lados estão perdendo a paciência, é onde acontecem os conflitos”, desabafa Alberto.

Questionado se realmente existe violência por parte dos indígenas quando ocorrem os conflitos, Alberto disse que isso é uma invenção dos produtores. “Não estamos nem nos manifestando mais. Até agora não demos nenhum passo, por que apostamos que o governo possa resolver o problema para nós. Nós indígenas defendemos nossas terras com nossas próprias vidas, um exemplo foi o caso do nosso amigo Oziel. Não queremos matar ninguém e não queremos violência. Você nunca vai ouvir falar que um produtor rural morreu pelas mãos de um índio terena. Não queremos que as pessoas gostem do nosso povo, só estamos pedindo que nos respeitem e nos dê o que é do nosso direito, nossas terras”, ressaltou.

Alberto aproveitou para agradecer os parlamentares por terem cedido espaço na Câmara para ele fazer suas reivindicações. “Só o fato de podermos vir aqui expressar nossas opiniões já é uma grande vitória. Agradeço aos vereadores por nos ter concedido espaço, pois desta maneira nossas vozes podem ser ouvidas nas casas de todos da população”, finalizou.

Alan Diógenes