11 de abril de 2021
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'BOLSONARO FANFARRÃO'

Mau militar, Bolsonaro também fracassa como presidente e sofre pressão de generais

Coronel tem o hábito de fustigar os militares bolsonaristas lembrando-lhes os documentos que alguns parecem esquecer: o Estatuto dos Militares e a Constituição

Militares que apoiaram a eleição de Jair Bolsonaro (sem-partido) já notaram que a coversa de "combate a corrupção" não vale para o filho do presidente, que é auxiliado pelo aparato do estado brasileiro para se livrar da Justiça no caso das rachadinhas indentificadas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), como provou relatórios feitos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abingerida pelo ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, que a esta altura assiste Jair Bolsonaro em plena negociata de cargos com o Centrão, que em troca, ajuda Bolsonaro a manter o filho longe dos investigadores.  

Há um mês, o general Francisco Mamede Brito escreveu: "O apreço entre as instituições de Estado deve se basear no ideal republicano. Subserviência, fisiologismo e corporativismo não fazem parte desse ideiário". Não são apenas oficiais generais, como Santos Cruz, Brito e Sérgio Ferolla que apontam o dedo para o governo. Há também coronéis. Dois deles se destacam: Marcelo Pimentel Jorge de Souza e Péricles da Cunha.

O primeiro é um artilheiro que sempre se recusou a apoiar Bolsonaro por julgá-lo - a exemplo de tantos generais do passado - um mau militar. Suas críticas vão além do presidente. Ele aponta para o grupo de militares que esteve por trás da campanha do capitão. O coronel tem o hábito de fustigar os militares bolsonaristas lembrando-lhes os documentos que alguns parecem esquecer: o Estatuto dos Militares e a Constituição. Pode ser que o acusem de ser esquerdista, como a tantos outros que ousaram criticar Bolsonaro - de banqueiros ao (pasmem!), general Rocha Paiva. Mas essa é uma tarefa difícil quando o discurso do militar lembra o de Ruy Barbosa, ao pedir, em 1893, que fosse construída "a mais alta muralha" entre o Exército e a política.

Ele se diferencia dos generais que se hoje se opõem ao capitão por ter posto cera nos ouvidos e nunca ter cedido ao canto bolsonarista que encantara tantos colegas que hoje ocupam cargos civis na Esplanada. Insiste na necessidade da preservação da neutralidade, da isenção e do apartidarismo como valores fundamentais da instituição militar e dos militares, que se veem ameaçados pela adesão atabalhoada de colegas ao governo de um presidente que acha bonito dar ao seu povo o exemplo de não se vacinar contra uma doença que já matou 186 mil compatriotas. Estivesse ainda em um quartel, o capitão seria enquadrado em razão da fanfarronice.

VEJA A COLUNA de Marcelo Godoy, no 'O Estado de S.Paulo'