15 de agosto de 2020
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Produtores rurais se aproximam para garantir seu direito de propriedade

As mobilizações por soluções dos conflitos no campo têm aproximado a classe dos produtores rurais em Mato Grosso do Sul. Isso é o que afirma o representante do Sindicato dos Produtores Rurais de Laguna Caarapã, Fabiano Nava. “Essa situação serve para fortalecer e unir os produtores. Vamos pra cima do Governo Federal. Se deixar, quando ver, vai estar com a trouxinha nas costas indo embora a pé, sem nada”, declarou.

Segundo Fabiano, os esforços dos fazendeiros agora são para evitar que novas ocupações aconteçam. Por isso cerca de 50 produtores rurais de Mato Grosso do Sul participarão da mobilização que acontece amanhã na Câmara dos Deputados, em Brasília. “Eles vão agora porque final de ano vai parar tudo. A gente aqui de Laguna já esta mais de dez anos indo a atos e o sindicato não está aguentando mais”, declarou.

De acordo com a advogada dos produtores rurais, Luana Ruiz, o objetivo do protesto é “atingir a opinião pública que é míope e cega. Enxerga a situação de forma distorcida. Não vê que nem todo índio é bonzinho e nem todo produtor rural é malvado. Os fins não justificam os meios. Se os índios querem os seus direito, tem que buscar a justiça. Hoje o injustiçado é o produtor rural amanhã pode ser o índio”.

O movimento reunirá produtores de todos os estados incluídos nos estudos de demarcação de terras da Funai (Fundação Nacional do Índio), no auditório Nereu Ramos, a partir das 9h (horário de Brasília) para reclamar da morosidade do governo federal nas decisões referentes às demarcações de terras e para pedir a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 215, que transfere para o Congresso Nacional a competência para aprovação de demarcação das terras indígenas e a ratificação das demarcações já homologadas.

O proprietário da fazenda Buriti, Ricardo Bacha, conta que não vai participar do ato porque não aguenta mais viajar e precisa cuidar de sua vida pessoal, mas conta que tem esperanças de uma solução concreta seja apresentada amanhã pela União. “Prefiro acreditar que vai ser resolvido porque tudo que a gente faz está sendo mal interpretado. Fizemos o leilão e o povo chamou de milícia. Os produtores rurais não tem nada contra os índios. Temos contra a politica de dar terras pros índios. É isso que somos contra. Somos a favor da lei. Reconhecemos que os índios são vitimas de governos que nunca cuidaram deles. A gente lamenta ver como eles estão se organizando de forma violenta para expulsar os fazendeiros de suas propriedades e o governo fica sentado assistindo isso”, finalizou.

Diana Christie