30 de setembro de 2020
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ELEIÇÕES 2020

"Prefeito" Reinaldo é salvador da Pátria para aliados em busca da reeleição

Navegam numa embarcação otimista rumo ao teste das urnas em outubro

A gestão de um governador municipalista tem sido das mais frutíferas para prefeitos dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Nesse universo, 47 chefes de Executivo filiados ao PSDB, partido de Reinaldo Azambuja, navegam numa embarcação otimista rumo ao teste das urnas em outubro.

Ocorre que parte dessa legião – em especial os que desejam se reeleger – está contando quase que exclusivamente com a carona amiga no prestígio do governador e nos votos de reconhecimento do eleitorado aos investimentos que vêm sendo feitos nas cidades, basicamente com as assinaturas do governo estadual ou recursos garimpados na União e no Estado por meio de emendas parlamentares.

É evidente que cada prefeito vem tentando imprimir suas digitais nessas obras, embora seus munícipes reconheçam nelas as digitais de Reinaldo Azambuja. Nada de mais, nem de menos, a não ser a visível falta de iniciativa ou o imobilismo de gestores municipais que não conseguem firmar-se gerencialmente e abrigam-se à sombra generosa de um mandatário que se doa a cada município para não deixar seus habitantes na dependência de prefeitos inoperantes.

Alguns exemplos desse caronismo são muito bem conhecidos do governo e dos meios políticos. Em Camapuã, o prefeito Delano Huber é um dos motivos das dores-de-cabeça dos dirigentes tucanos sulmatogrossenses. Com os índices de rejeição na estratosfera e acumulando uma trapalhada sobre a outra, Huber já perdeu o pouco crédito que tinha junto aos seus líderes. Está entre os gestores que, para não passar vergonha maior, devem desistir de tentar a reeleição.

O prefeito de Paranaíba, Ronaldo Miziara, é outra produção política que o PSDB não quer continuar alimentando. Decepcionou o partido e muito mais os paranaibenses, que não encontraram em seu governo a atenção que prometera em campanha. A cidade está visivelmente machucada pelo desgoverno, fato que explica a elevada impopularidade de Miziara e o crescimento vertiginoso de ex-aliados que se tornaram virtuais concorrentes na próxima disputa eleitoral.  

Se Delano Huber e Ronaldo Miziara não souberam transferir para si parte do prestígio e do reconhecimento que os eleitores creditam ao obreirismo municipalista de Azambuja, atalho bem diferente foi aberto pelo prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro, em sua caminhada pré-sucessória. Em uma gestão sem grandes realizações de sua própria lavra, Odilon Ribeiro embarcou desde o início, e de forma espetaculosa, na carona das obras reinaldistas.

A ênfase maior dos investimentos que vêm animando o projeto de reeleição do prefeito aquidauanense contempla melhorias viárias, com o asfaltamento de vários bairros da área urbana e a pavimentação de estradas vicinais e estaduais, com recursos do Fundo de Desenvolvimento Rodoviário (Fundersul), em sua maior parte. Para os seus aliados locais, a reeleição de Odilon é fava contada, mesmo que a comunidade identifique em Reinaldo Azambuja o real executor dessas obras e considere o governador um segundo prefeito.