26 de outubro de 2020
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Presença de Londres na composição de chapa traz diferencial à disputa

Quantas pessoas no Brasil têm hoje um acervo pessoal de 12 mandatos consecutivos - o primeiro, de vereador em Fátima do Sul, e os demais como deputado estadual? Uma dúzia de eleições diretas vitoriosas, em sequência, numa trajetória pública que inclui outras marcas impressionantes: sete vezes presidente da Assembleia Legislativa, dois mandatos-tampão de governador e o comando político e orgânico de todos os partidos aos quais pertenceu, da Arena dos anos 1960 ao PR de hoje.

Não bastassem os cargos institucionais conquistados por Londres Machado, são incontáveis  nestes 47 anos de estrada as tarefas e missões políticas quase inevitáveis no dia-a-dia de quem também vive sendo acionado como estrategista, articulador, conciliador, um sempre disposto "bombeiro" para apagar incêndios nas relações estremecidas ou indispensável conselheiro para o enfrentamento de crises.

Ele estava quase decidido a vestir o pijama para dedicar-se à família e aos negócios. Afinal, não quer, não precisa e não está à procura de recordes sobre recordes. Já alcançou na política seus principais objetivos. Não precisou escalar os degraus da representatividade para mostrar seu talento. Ficou como deputado estadual apenas. E apenas assim esteve sempre com o poder político girando na sua órbita. Transcendeu a lógica linear do balizamento ideológico e governou sem necessitar de poltrona no principal gabinete do Poder Executivo. Tudo isso, preservando liturgias complexas e dogmáticas de equidistância inter-poderes, sem interferir no executivo e sem permitir o vice-versa.

Porém, um grito interior que relutava em ouvir pode adiar a aposentadoria. No meio do caminho para casa desconfiou que sobre seus ombros poderia pesar - e talvez já esteja pesando - uma enorme responsabilidade: a de presidente do PR, um partido que passou a ter importância determinante na sucessão estadual. Com o PR, a pré-candidatura do senador petista Delcídio Amaral ao Governo ganhou o mais destacado matiz de centro ideológico, fundamental para realçar o verniz e reforçar o conteúdo do apelo pluralista de sua campanha.

Com presença garantida na chapa majoritária, pois vai indicar o vice, o PR dá a Delcídio consideráveis contribuições de ordens política e eleitoral. Além das dezenas de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores que vêm reforçar o exército delcidista, os republicanos fumncionam como um fator de dupla funcionalidade na distribuição de forças, porque reduzem o espaço de cooptação dos adversários e ainda estimulam a adesão do expressivo contingente de lideranças que prestam mais atenção na bússola de Londres que nos números das pesquisas majoritárias.

É para onde Londres vai que se aglutinam pelotões rarefeitos na geopolítica estadual. Os prefeitos republicanos Vagner Alves Guirado (Anaurilândia), José Robson Samara Rodrigues de Almeida (Aparecida do Taboado),  Mário Valério (Caarapó), Nilcéia Alves de Souza (Coronel Sapucaia), Yuri Valeis (Sonora) já experimentam em seus municípios o impacto - positivo, para suas administrações - da presença de Londres no palanque de Delcídio.

Juntamente com Londres Machado, outro veterano respeitável das formulações estratégias e táticas da política guaicuru, Leite Schimidt, reconhece a efetividade da receita de centro-esquerda para respaldar um candidato cujo prestígio eleitoral e pessoal tem força de luz própria. No futuro, se as urnas confirmarem o que apontam as pesquisas, ver-se-á que a formação da chapa não terá sido uma solução simplista de sobrevivência e sim uma admissão tácita de que nesta competição a quantidade dos votos depende da capilaridade política dos que foram escalados para conquistá-los.

Edson Moraes, especial para o MS Notícias