08 de agosto de 2020
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Presidente da Fecomercio defende venda de guloseimas e afirma que responsabilidade de aliementaçao s

Heloísa Lazarini

O presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul) Edison Araujo tentou hoje pela manhã justificar o pedido de abertura de uma ação judicial para a derrubada da lei estadual que proíbe a comercialização de alimentos industrializados e nocivos à saúde como salgadinhos e doces em escolas estaduais de Mato Grosso do Sul.

A lei 142/2011 de autoria do deputado estadual George Takimoto (PSL) prevê a proibição de comercialização de todo tipo de alimento industrializado prejudicial à saúde. Com a lei em vigor, salgadinhos, chips, bolachas, balas e refrigerantes ficariam de fora do cardápio das cantinas das escolas municipais.

Diante da ameaça de diminuição dos lucros de empresas que produzem e comercializam esse tipo de alimento, extremamente perigoso para saúde das crianças, o presidente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) Sergio Longen, que é proprietário de indústrias no segmento alimentício de guloseimas, solicitou ao colega Edison Araújo, da Fecomércio, para que o mesmo ingressasse com uma ação na justiça para garantir que os empresários e industriais do setor continuassem lucrando às custas da saúde das crianças do Mato Grosso do Sul.

Edison nega que o interesse da Fecomércio seja estritamente pessoal estimulado pela ganância e pela ambição, tão inerentes e próprias do regime capitalista, e defende que a responsabilidade sobre a alimentação dos estudantes da rede pública é estritamente de cunho familiar. “São os pais que devem educar seus filhos e ensiná-los a comer, as indústrias fazem seu papel de fabricar os produtos. A proibição da comercialização desses alimentos diminuiria o faturamento dos empresários do setor e isso traria desemprego”, afirma Edison.

O presidente da Fiems preferiu não se pronunciar sobre o assunto e não retornou as mensagens da reportagem do MS Notícias. Longen é um dos principais prejudicados com a adoção da lei, uma vez que seu patrimônio tem sido construído ao longo dos anos por meio dos lucros obtidos com a venda de produtos industrializados como salgadinhos e balas, que podem causar doenças graves como diabetes e hipertensão.