28 de outubro de 2020
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A prova do crime

Seria um assunto extremamente desconfortável para este dia internacional contra a corrupção, não fosse o fato da denúncia em questão se referir à administração Murilo Zauith, senão a mais honesta, tal qual a mulher de Cesar, a que deveria parecer uma das mais honestas da história douradense, até por suceder aquela que tantos escândalos protagonizou, como as operações Brother, Owari e Uragano, que levaram para a cadeia o então prefeito Ari Artuzi, empresários e fornecedores, quase todo o secretariado além de vereadores aliados. Mas, se a imprensa tradicional é subordinada, não se arriscando a um pio sobre eventuais deslizes, até para ajudar o prefeito aliado a não cair em alguma armadilha, aí estão a rádio peão, agora repercutida nas mídias sociais, Facebook, principalmente, e, na tribuna da Câmara Municipal, a voz solitária de uma impertinente Virginia Magrini.

documentos

Olhando, assim, para esta pilha de documentos – uma produção fotográfica autorizada pelo secretário municipal de governo José Jorge Leite Zito Filho numa deferência a este Blog – chega-se à conclusão de que ele não foi, como aqui colocado, coisíssima nenhuma descortês com vereadora Virginia Magrini, para quem debaixo disso tudo aí há muita coisa a ser explicada.

Pelo contrário, até quebrou o galho dela, poupando-a não só de uma enfadonha leitura como dos riscos de contrair algum tipo de alergia provocada por ácaros. Aliás, a própria vereadora reconheceu, no Face, que não houve descortesia, mas... descumprimento à lei, o que poderia desembocar num crime de responsabilidade do poderoso Zito, não fosse a edilidade, por sua atual composição, vista apenas e tão somente como uma sucursal da prefeitura, como bem escreveu em seu retorno ao colunismo político no Dourdosnews o já decano J. C. Torraca, com a autoridade de quem conhece as entranhas do Palácio Jaguaribe, já que ali trabalha como redator oficial há 16 anos.

(se estiver mentindo) cadeia em mim!".

Vereadora Virginia Magrini

O próprio Zito, cria política de Londres Machado, apressou-se em desfazer qualquer mal entendido, na sessão de comentários do blog, dizendo que apenas usou o bom senso para evitar o envio de algumas centenas de fotocópias de folhas de papel “que o contribuinte é o pagante”, observou, com todo o zelo, acrescentando que não tem interesse em atrapalhar o trabalho dos nobres vereadores, mas que se a vereadora insistir será feita a sua vontade.

Quanto àquela história de rádio peão envolvendo o nome do secretário Waltinho Carneiro em recebimento de propinas de empreiteiras, Archimedes Ferrinho Lemes Soares jura que jamais foi convocado ao gabinete de Zauith para qualquer tipo de esclarecimento. Admitiu, no entanto, ter alertado o secretário de Obras, Jorge de Lúcia, para o que chamou de chuchos, de até 60 mil reais, em troca da liberação de habite-se sem a observância das regras para garagens e estacionamentos, em áreas comerciais. Só por isso foi convocado a depor, mesmo assim na condição de testemunha.

De sua parte, comentando a ameaça de Zauith de que ela ou Waltinho poderiam ir para a cadeia por conta do zunzunzum dos serviços que teriam sido executados pela mesma empreiteira que presta serviços à prefeitura no acesso da chácara dos Carneiro, a vereadora se disse tranquila, escrevendo, também na sessão de comentários do blog, que se estiver errada, “o que eu duvido muito, cadeia em mim”. Depois, em contato com o blogueiro, garantiu que “o que é deles está guardado”. Moral da história, ela diz que tem, sim, a prova do crime.

Valfrido Silva, especial para MS Notícias