11 de agosto de 2020
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PT prioriza eleição de Dilma e estados sentirão impacto

“Os Diretórios Estaduais serão orientados para que as coligações atendam às diretrizes sobre tática eleitoral e política de alianças a serem aprovadas para as eleições de 2014. Nossas alianças deverão ser construídas tendo em conta a melhor tática para garantir a reeleição da Presidenta Dilma, ampliar a bancada no Senado Federal, na Câmara de Deputados e nas Assembléias Legislativas como também conquistar vitórias importantes nos estados”.

Esta é, na íntegra, a cabeça da Resolução do Diretório Nacional do PT para as disputas eleitorais de 2014. Como se pode aferir, em qualquer estado brasileira a política de alianças do partido deverá, obrigatoriamente, ser observada de acordo com essa resolução, sob pena de transgressão estatutária e disciplinar.

Em Mato Grosso do Sul, a pré-candidatura do senador Delcídio Amaral ainda percorre águas mansas. Ele tem a unanimidade dos militantes para ser o candidato a governador. Fato raro para quem, até recentemente, era visto com desconfiança pelas correntes mais à esquerda.  incluídas as mais belicosas do PT.

A unanimidade em torno da candidatura de Delcídio ao Governo não se reproduz na aberta intenção dele e de boa parte de lideranças petistas de construir uma solução inusitada: tirar o tucano Reinaldo Azambuja da disputa governamental e distanciá-lo de vez do campo de cooptações do PMDB. Em troca, Azambuja ganharia a chance de candidatar-se ao Senado com apoio do PT – ou parte da legenda - pelo artifício da chamada “coligação branca”. Nesta, o PT não lançaria candidato a senador ou inscreveria um nome sem chance alguma para cumprir o protocolo, escancarando o caminho para seu eleitorado votar pelo custo-benefício, votando em Azambuja para eleger Delcídio.

Mas o custo-benefício não se esgota nas medidas e na contabilidade política paroquiais. Para o Diretório Nacional, é irremovível o texto da Resolução determinando que as alianças do PT deverão levar “em conta a melhor tática para garantir a reeleição da presidenta Dilma”. Nesse caso, só falta um detalhe para Azambuja ser entronizado, em coligação branca ou não, como candidato ao Senado pelo “projeto Delcídio”: apoiar a reeleição de Dilma ou, quando nada, não fazer mais oposição à presidenta. Se o senador Delcídio Amaral conseguir essa proeza, terá removido rochas escarpadas das quais se aproxima e sua candidatura será aprovada pelo Diretório Nacional. É, tem isso também. É só conferir mais outro item da Resolução Nacional do PT:

“Respeitada a autonomia e a disputa interna a respeito do processo de escolha das pré-candidaturas majoritárias e da discussão sobre alianças eleitorais estaduais, a chapa final com a definição sobre coligações, em cada Estado, somente poderá ser registrada perante a Justiça Eleitoral APÓS a devida aprovação pela direção nacional, que, através de sua Comissão Executiva Nacional, adotará os procedimentos necessários que serão definidos no processo de preparação das eleições de 2014”.

Edson Moraes, especial para MS Notícias