29 de outubro de 2020
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PT revela preferências, mas mantém arco ampliado para alianças

A aclamação de Ricardo Ayache como indicação do PT para concorrer ao Senado na chapa de Delcídio Amaral não reduz e nem esgota o arco de alianças almejadas pelo partido para a disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul. A sigla ainda trabalha na perspectiva de construir uma aliança ampla e, para isso, não vai trancar a sete chaves a disponibilidade de espaços para outras forças em sua chapa majoritária.

No sábado passado, o festejado presidente da Caixa Estadual dos Servidores (Cassems), Ricardo Ayache, recebeu uma consagradora aclamação dos delegados e filiados que superlotaram o auditório da Federação dos Trabalhadores em Educação (Fetems) durante o Encontro Estadual de Tática Eleitoral do PT. Seu nome chegou como solução de chapa pura, um desejo de boa parte da legenda.

No entanto, a confirmação de Pedro Chaves dos Santos Filho (PSC) como coordenador-geral da campanha e a presença de representantes de outras legendas, como Dagoberto Nogueira e Paulo Pedra, do PDT, e dirigentes do PCdoB, indica que as articulações do PT em busca de uma composição mais sortida estão mantidas.

Na entrada, antes de discursar reforçando a unidade interna e salientando a importância de potencializar as conquistas dos governos de Lula e Dilma, o pré-candidato a governador Delcídio Amaral disse que vai levar até o último instante a disposição de ter em seu palanque antigos e novos aliados.

Com essa avaliação, Delcídio situa o espectro de apoios em dois blocos: um, o de construir parcerias em âmbito local, como o PTB, o PV e o Pros, e o e outro com forças integrantes da base de sustentação da presidenta Dilma Roussef, como o PCdoB, o PDT, o PP e o PR. Não entram nessa conta, ao menos por enquanto, o PSC do coordenador-geral de sua campanha, Pedro Chaves, e o PMDB, do governador André Puccinelli, cujo partido tem candidato próprio ao governo estadual (Nelson Trad Filho).

No caso do PSC - dividida entre as candidaturas do PT, PMDB e PSDB em Mato Grosso do Sul - a legenda estaria aguardando deliberação da executiva nacional. Quanto aos peemedebistas, acentua-se a visão da distância, mesmo administrada, entre Puccinelli e Nelsinho Trad, aparentemente por causa de preferências antagônicas na sucessão presidencial – o governador disse que vai montar um palanque para a petista Dilma Roussef e o ex-prefeito campograndense vem atacando impiedosamente a maior dirigente do país. Enquanto o PMDB não decide oficialmente quem vai apoiar para presidente, Puccinelli e Nelsinho seguem desfilando suas diferenças, até com disparos verbais ásperos.

Além de Ricardo Ayache, em princípio a lista de opções do PT para formar a chapa majoritária inclui preferencialmente  o PDT (um nome para vice-governador deve ser indicado pela região da Grande Dourados) e o PR (do deputado Londres Machado, que não disputará a reeleição e estaria disposto a aposentar-se com chave de ouro, possivelmente a vice-governança ou uma suplência senatorial).

O PTB surge nessas conjecturas como alternativa para a vaga do Senado. O indicado petebista seria o presidente da Federação das Indústrias (Fiems), Sérgio Longen. Apesar de questões e pontuais que fazem os petistas ideológicos torcerem o nariz, como a bandeira de flexibilização das conquistas trabalhistas, Longen teria facilidade de inserção junto a expressivas parcela das classes A e B e conta com o estímulo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI). A poderosa corporação nacional pretende, a partir deste ano, investir pesadamente na eleição de um grande contingente de parlamentares na Câmara e Senado para a defesa de seus interesses em compartimento específico.

 Edson Moraes